Abril 25, 2024

A Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, recebeu, este sábado, em audiência, na cidade Doha (Qatar), a enviada especial para África do Secretário-Geral das Nações Unidas, Cristina Duarte, que disse haver um “alinhamento completo” entre a agenda das Nações Unidas e a agenda de Angola.

Em declarações à imprensa no final da audiência, em véspera da 5ª Conferência das Nações Unidas sobre os Países Menos Desenvolvidos, a representante de António Guterres para África disse ter abordado com Esperança da Costa o alinhamento entre a agenda das Nações Unidas e dos seus países membros, sobretudo a questão dos Objectivos de Desenvolvimento Durável, e a agenda angolana.

Cristina Duarte reconheceu que Angola é um dos países em África que tem trabalhado e investido para que esta agenda se torne realidade. Durante a audiência, sublinhou, a Vice-Presidente Esperança da Costa destacou todo o trabalho que Angola e o seu Governo têm desenvolvido para  a proteção das áreas verdes e do ambiente.

“As políticas nacionais em termos de adaptação climática no Sul de Angola são, sem dúvida, um exemplo do esforço feito, em particular, no campo energético, para que este desafio seja devidamente solucionado. Como é sabido, a energia é a magia do ponto de vista do desenvolvimento, onde há energia há desenvolvimento, não havendo energia não há desenvolvimento”, afirmou, sublinhando que a energia é um factor fundamental e é preciso que os países africanos assumam o sector energético como essencial e do ponto de vista dos orçamentos nacionais se dê cada vez mais importância a esta questão.

Sobre as expectativas da 5ª Conferência das Nações Unidas sobre os Países Menos Desenvolvidos, Cristina Duarte considerou o certame crítico. “O Plano de Acção de Doha é pragmático e prático, mas ao mesmo tempo estratégico e focalizado, e todos sabemos o que fazer”, quer do ponto de vista africano, como do nacional, referiu.

“É preciso reconhecermos a necessidade de aumentar as capacidades e políticas públicas, sair da intenção e sermos mais efectivos na implementação” do Plano de Acção de Doha, considerou.

Integração regional é um imperativo

Para a responsável da ONU para África, é igualmente crucial entender que a integração regional em África não é uma opção, mas, sim, um imperativo.

“Regionalmente, precisamos desbloquear as cadeias de valor para termos escala e mercado, viabilizar processos de industrialização e aproveitar o crescimento da classe média africana”, referiu Cristina Duarte.

Sobre a necessidade dos países desenvolvidos apoiarem os menos avançados, um dos pontos assentes na agenda de trabalho da 5ª Conferência, a enviada de Guterres disse que o continente africano tem recebido apoio. “Mas penso que chegou a altura de começarmos a reconhecer que mais de 90 por cento das soluções aos nossos problemas estão em África”.

A título de exemplo, falou do financiamento ao desenvolvimento, tendo referido, a propósito, que o continente africano tem financiado o seu desenvolvimento.

“Nós já financiamos o nosso desenvolvimento. São 800 biliões de receitas domésticas, o que representa mais poupanças privadas contra os 55 biliões de ajuda pública para o desenvolvimento, o que quer dizer que temos um potencial enorme, de aumentar ainda mais a capacidade de financiamento das nossas necessidades e a mobilização de recursos domésticos como força motriz do desenvolvimento de África”, sublinhou.

Anotou que é neste quadro que a ajuda ao desenvolvimento tem que ser cada vez mais canalizada para os países africanos, de modo que os Estados possam construir instituições e sistemas fortes para melhor controlarem os seus fluxos económicos, financeiros e fiscais.

Cristina Duarte assinalou que depois de dois anos de crise sócio-económica e de saúde, provocadas pela pandemia da Covid-19, África sofre agora com o impacto decorrente do conflito na Ucrânia. Como é evidente, acrescentou, o continente está numa situação de ter um contexto internacional completamente adverso e ao mesmo tempo com desafios que já eram difíceis antes e, agora, tornaram-se extremamente complexos.

“Esta situação  é uma clara oportunidade para que África comece a equacionar, cada vez mais, o seu desenvolvimento a partir de dentro, de ‘soluções africanas’. E estamos em condições de o fazer”, afirmou.


Representante da UNESCO reafirma parceria com Angola

As relações de cooperação entre Angola e a UNESCO mereceram a atenção da Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, e do director-geral adjunto desta agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura Xin Qu, que consideraram “excelentes”.

Depois de ter sido recebido em audiência no início da noite de ontem, em Doha, Xin Qu disse que África é um continente que goza de prioridade. Nesta senda, acrescentou, Angola vai continuar a trabalhar com a UNESCO no quadro desta cooperação e das excelentes relações existentes entre as partes.”A UNESCO vai continuar comprometida e engajada nesta cooperação com Angola”, sublinhou.

 JA

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