Abril 21, 2024

A Maternidade Irene Neto, na cidade do Lubango, capital da província da Huíla, reabriu, quarta-feira, as portas às utentes com condições de atendimento mais humanizado, que colocam ponto final ao período sombrio que atravessou durante algum tempo, devido à falta de obras de manutenção.

A unidade, que passa a contar, agora, com uma capacidade de 122 camas, diferente dos anteriores 80 leitos, foi reinaugurada pelo Presidente da República, João Lourenço, que se fez acompanhar, nessa que ficará registada como a primeira deslocação ao interior do país, depois da reeleição, da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço.

Ao prestar declarações à imprensa, no final da visita aos vários compartimentos da unidade sanitária, o Presidente da República referiu que a Maternidade Irene Neto vai provocar um “grande impacto” na vida das mulheres que ali acorrerem, dado o facto de não haver, na região Sul do país, uma maternidade tão bem equipada como aquela.

“O impacto é grande. As senhoras passarão a ter partos mais seguros e em melhores condições de higiene”, sublinhou o Chefe de Estado, lembrando ser esta a pretensão do Executivo para todo o país.

O Presidente da República, que procedeu à reinauguração da maternidade no dia dedicado às mulheres (8 de Março), fez saber que o Executivo vai continuar a trabalhar para garantir uma melhor assistência de saúde às populações, com destaque para as mulheres.

“Pretendemos continuar a assistir, de forma condigna, as nossas populações e, no caso concreto, esta faixa da população, que são as mulheres”, frisou. Em relação à criação de melhores condições de saúde para as populações, o Presidente da República reiterou o anúncio da construção, em Luanda, de um grande hospital oncológico.

Dado o custo necessário para a construção de um hospital dessa natureza, o Presidente esclareceu que não vai ser construído um em cada província, mas sim, possivelmente, um em cada região do país. “Vai ser um para a região Sul, Centro, Norte e Leste. É o que vai acontecer, mas, para já, está garantida a construção do grande hospital oncológico em Luanda”, realçou.


Maternidade Irene Neto

A Maternidade Irene Neto foi construída antes da Independência Nacional (11 de Novembro de 1975) e viveu, nos últimos anos, um longo processo de degradação, o que a levou a oferecer condições de atendimento deficientes aos utentes, com realce para poucos serviços diferenciados e escassos equipamentos de apoio.

Confrontava-se, constantemente, com problemas de infiltração sempre que chovia, cenário que obrigava a transferência das pacientes de uma sala para a outra, além da falta de esgotos. Este quadro levou, em 2018, o Governo Provincial da Huíla a transferir os serviços de maternidade para o Hospital Central do Lubango, com o propósito de salvaguardar a dignidade dos pacientes e, desta forma, garantir a segurança dos mesmos.

Total degradação

A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, disse que o edifício se foi degradando sem nunca ter beneficiado de obras de manutenção, com intervenção profunda, tendo atingido, em 2018, um nível de total degradação, sem garantia de condições de trabalho para os profissionais de saúde e de atendimento aos pacientes que acorriam àquela unidade para a assistência médica e medicamentosa.

“Esta situação levou a que muitas das mulheres que eram atendidas e crianças que nasciam nesta mesma unidade corressem riscos de vida”, recordou.

Solução para o problema

Sílvia Lutucuta salientou que a solução para colocar um ponto final a este quadro nasceu da parceria entre o Governo de Angola e petrolífera Chevron e parceiros do Bloco 0, que fizeram uma alocação inicial de cinco milhões de dólares norte-americanos, mas que se mostrou insuficiente para o tipo de trabalho que se pretendia, dada a gravidade do estado de degradação em que se encontrava a maternidade.

Com isso, Sílvia Lucuta disse ter sido necessário a mobilização de mais recursos junto da Estrutura de Gestão do Programa de Revitalização de Angola, composta por representantes do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis e da CABGOC e Parceiros do Bloco 0, num novo montante de sete milhões e quatrocentos mil dólares, perfazendo, deste modo, como valor total da empreitada, doze milhões e quatrocentos mil dólares.

A ministra da Saúde esclareceu que o apetrechamento da Maternidade Irene Neto, em equipamentos e mobiliário, foi assegurado pelo Executivo, através do Orçamento Geral do Estado do Ministério da Saúde, no montante de cerca de 4, 7 mil milhões de kwanzas.

A reabilitação e ampliação da Maternidade Irene Neto teve início em 2021 e esteve a cargo, em termos de execução, da empresa construtora Mota-Engil.

Indicadores de saúde

A ministra da Saúde salientou que esta unidade, pelas características e valências sanitárias, vai contribuir, de forma decisiva, para a melhoria dos indicadores de saúde materna e neonatal, permitindo, ainda, a execução de assistência médica e medicamentosa de qualidade, bem como acelerar, cada vez mais, o acesso da população a serviços de saúde eficientes e humanizados.

“Trata-se de uma unidade que oferece serviços de média complexidade, que servirá, indubitavelmente, de referência regional”, destacou. A maternidade possui, além das 122 camas, 81 berços e uma área de neonatologia com 20 incubadoras, bem como vários outros serviços.

Registo digital

A ministra da Saúde deu a conhecer que a Maternidade Irene Neto vai ser pioneira na implementação do registo digital nominal de vacinação de rotina nas salas de parto.

Disse tratar-se de uma solução inovadora desenvolvida pelo Ministério da Saúde para permitir acompanhar, de forma digital e em tempo real, a vacinação das crianças, com vista a contribuir para a contínua melhoria da qualidade dos serviços de saúde prestados aos cidadãos.

Filha satisfeita

Maria da Silva Neto, primogénita da nacionalista Irene Neto, considerou a reabilitação do edifício com o nome da mãe um reconhecimento do Estado angolano por tudo que fez para o sector da Saúde, de onde actuou como enfermeira.

“É um orgulho para a nossa família”, salientou. Irene Agostinho Neto, irmã do fundador da Nação, Agostinho Neto, nasceu a 21 de Fevereiro de 1922, em Catete, Icolo e Bengo, e teve como profissão enfermeira instrumentista.

Projecto de fornecimento de água para a Huíla

O Presidente da República anunciou, ontem, no Lubango, província da Huíla, que o Executivo vai trabalhar para construir, naquela província do Sul do país, um sistema de abastecimento de água compatível com a tendência de crescimento da população daquela cidade.

João Lourenço sublinhou que a questão do fornecimento de água para a província da Huíla, Lubango em particular, é uma das preocupações do Executivo.

“Sabemos que a cidade está a crescer, aumentou, consideravelmente, a população e, por esta razão, a demanda por água é cada vez mais crescente”, reconheceu o Presidente, em declarações à imprensa.

JA

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