Junho 13, 2024

O Governo de Angola assinou, quarta-feira, em Luanda, dois instrumentos jurídicos de cooperação com a República Árabe do Egipto em matéria de Segurança, Ordem Pública e Assistência Técnica sobre Águas Subterrâneas.

Os dois memorandos de entendimento, rubricados no quadro da visita de Abdel Fattah El-Sisi ao país, foram assinados na Sala de Tratados do Palácio Presidencial, na Cidade Alta, na presença dos estadistas dos dois países, bem como dos membros das duas delegações oficiais presentes no encontro.

Da parte angolana assinaram os documentos, que se destinam ao reforço da cooperação entre os dois países, o ministro do Interior, Eugénio César Laborinho, e da Energia e Águas, João Baptista Borges, enquanto pela parte egípcia assinou os dois documentos o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sameh Shoukry.

A visita de Abdel Fattah El-Sisi ao país enquadra-se num périplo que está a realizar em alguns países do continente africano, tendo, neste quadro, escolhido Angola como o primeiro a visitar. “Nós agradecemos este gesto da parte do Presidente Abdel Fattah El-Sisi, o que significa dizer que as relações entre Angola e o Egipto são tidas na mais alta consideração, quer pela parte egípcia quer pela parte angolana”, destacou o Presidente João Lourenço, quando falava à imprensa dos dois países sobre a visita de El-Sisi a Angola.

Relações bilaterais

O Chefe de Estado fez saber que antes do encontro entre as duas delegações teve um tête-à-tête com o homólogo do Egipto por via do qual passaram em revista o estado das relações bilaterais, com destaque para o nível da cooperação entre os dois países e a identificação das áreas de interesse comum em que gostariam de ver o investimento incrementado. Sobre este particular, o Presidente da República deu a conhecer que olharam para a Agro-pecuária, Turismo, a Indústria Farmacêutica, Defesa, Tecnologias de Informação, Cibersegurança, além de outros domínios em que disse haver, igualmente, interesse recíproco para cooperação económica.

No domínio das Águas e Obras Públicas, para a construção de infra-estruturas públicas, outras áreas que também mereceram a atenção dos dois estadistas, o Presidente João Lourenço referiu que o homólogo egípcio deu a conhecer que o seu país construiu, nos últimos anos, várias cidades de raiz, incluindo uma nova capital  do país, que será inaugurada até ao final deste ano.

O Presidente da República salientou haver empresas egípcias deste ramo da construção civil que trazem essas experiências do Egipto para o país, o que disse agradecer, dado o facto de Angola estar em construção. “Ainda temos muito por construir e a concorrência ainda deixa bastante espaço para que outras empresas de construção civil possam entrar no nosso mercado”, destacou o estadista angolano.

O Chefe de Estado disse terem passado, igualmente, em revista o estado da situação de paz e segurança em África, com realce para o conflito no Corno de África, a situação em Moçambique, na República Democrática do Congo, na Região do Sahel, todos aqueles países que estão afectados pela instabilidade criada na Líbia e o mais recente conflito que eclodiu no Sudão.

Sobre estas matérias, revelou terem defendido, ambos, a necessidade de se trabalhar de forma coordenada, quer a nível da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, quer da Liga Árabe, das quais o Sudão é membro, no sentido de se encontrar as melhores soluções para a busca da paz definitiva para o Sudão.

Outro assunto abordado no encontro, fez saber o Presidente João Lourenço, foi a partilha, sem conflito, do Rio Nilo, que beneficia o Egipto, Sudão e a Etiópia. João Lourenço disse que o Rio Nilo não pode ser razão de conflito, mas, pelo contrário, razão de união entre os três países que o partilham.

No caso de algum mal entendido, o estadista angolano disse que a saída deve ser a conversa, de modo a encontrar-se uma forma que permita a todos beneficiarem daquele bem que, como sublinhou, não é de um dos países, em particular, mas de todos eles, do Egipto, do Sudão e da Etiópia.

No campo da política internacional, o Presidente da República disse terem falado do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, por ser o que mais aflige, neste momento, o mundo. Sobre este assunto, referiu ter havido convergência de pontos de vista, na qual os dois países defendem a necessidade de, enquanto for tempo, pôr-se fim àquele conflito, por estar a causar um conjunto de crises, tais como humanitária, de segurança, energética e alimentar.

O estadista angolano advertiu que se não se tiver alguma cautela, o mesmo poderá descambar para um conflito de dimensões bem maiores e piores do que a que se deu há quase 80 anos, isto é, na II Guerra Mundial.

Convite para os 50 anos da Independência

O Chefe de Estado informou, na ocasião, que convidou o Presidente Abdel Fattah El-Sisi para marcar presença, em Luanda, em Novembro de 2025, nas comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, o que disse ter sido prontamente aceite pelo homólogo, que também o convidou para, na primeira oportunidade, visitar o Egipto.

“É evidente que aceitei o convite”, realçou o Presidente João Lourenço, para quem, apesar de a visita de El-Sisi a Luanda ser curta, foi bastante proveitosa.

Abdel Fattah El-Sisi terminou a visita ao país a meio da tarde de ontem, após um almoço oficial oferecido pelo estadista angolano. Zâmbia e Moçambique são, entre outros, os países que vai visitar, no quadro do périplo que está a realizar no continente.

Transformar Angola  numa economia próspera

Numa mensagem partilhada, ontem, na sua conta do Facebook, a propósito da visita do homólogo egípcio, o Presidente da República escreveu que a diversificação das relações do país no campo das relações internacionais e a sucessão de visitas ao território nacional, de altas entidades estrangeiras, reflectem o empenho do Executivo em transformar Angola numa economia próspera.

JA

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