Junho 14, 2024

O dono dos 134 milhões de kwanzas encontrados nos escombros do prédio que colapsou a 25 de Março na Av Cte. Valódia, em Luanda, nunca apareceu e as diversas instituições com responsabilidade sobre as investigações para apurar a quem pertenciam e a sua origem recusam quaisquer responsabilidades.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) ouviram o assunto pela imprensa e nada mais fizeram e o Governo Provincial de Luanda (GPL) diz que o assunto ficou entregue ao SIC, mas este nega e diz que nunca houve pedido para investigação

Onde estão os milhões? De quem eram? Qual a origem de tanto dinheiro? Eram mesmo só 134 ou os milhões entre os escombros eram mais? Estas são as questões a que todos querem ver dada resposta mas ninguém, com responsabilidade, parece ter o que dizer.

Decorridos quatro meses, deste a queda do “Prédio 41”, nenhum morador ou empresa que por lá funcionava reclamaram os milhões que os bombeiros encontram na remoção dos escombros.

Esta situação deixa, claramente, em cima da mesa a possibilidade de origem duvidosa de tantos milhões, porque, como diziam alguns moradores, ninguém deixa ir tanto “kumbu” sem o reclamar.

De acordo com a lei, o dono do dinheiro deve apresentar-se e provar que é efectivamente seu de forma a reavê-lo, porque, enquanto isso não sucede, o Governo Provincial de Luanda é o fiel depositário dos milhões e, por regra, após um prazo legal, deve fazer chegar o montante à Conta Única do Tesouro (CUT).

Se o Governo Provincial de Luanda informou que este é um assunto que ficou entregue ao SIC, este órgão de investigação diz não saber nada sobre o mesmo e que nunca foi solicitado a investigar quem é ou são os proprietários dos 134 milhões de kwanzas encontrados pelos bombeiros na remoção dos escombros do edifício que desabou na madrugada do dia 25 de Março.

“Este e outros temas foram tratados ao nível da comissão de protecção civil. E, como sabem, havia várias entidades envolvidas no trabalho de buscas e salvamento. Naturalmente as autoridades competentes deram o devido tratamento e os passos subsequentes, sendo que esta informação, para além de pública, consta do comunicado emitido na altura pela comissão”, assegura o gabinete de comunicação social do GPL, quando contactado.

Questionado o Ministério Público (MP) se foi aberto um processo de investigação para saber se de quem são os milhões encontrados visto que esta foi uma questão que esteve em discussão na sociedade durante muito tempo, até porque se publicaram notícias sobre as visitas regulares que algumas figuras públicas ligadas ao aparelho do Estado faziam ao Prédio 41 antes de desabar.

Entretanto, uma fonte do MP que solicitou anonimato quando contactado, disse que não houve abertura de processo e que o órgão apenas ouviu os relatos pela imprensa.

“Não há processo de investigação sobre este assunto”, assegurou a fonte da Procuradoria-Geral da República.

Resposta idêntica veio do Serviço de Investigação Criminal, tendo um alto responsável deste órgão, que também preferiu não ser identificado, assegurado que o SIC nunca foi chamado para participar do processo nem nunca recebeu queixa ou pedido para investigar da parte GPL.

Félix Domingos, o porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB), disse que os bombeiros exerceram a sua actividades, de resgate e salvamento, e sobre os dinheiros e outros assuntos só o GPL, como coordenador da comissão de protecção civil, deve responder.

NJ

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