Maio 19, 2024

O Presidente João Lourenço declarou, esta segunda-feira, no Soyo, que o país deve investir na construção de um estaleiro naval para a manutenção da frota e iniciar a construção de navios de guerra.

 Ao discursar no acto central das comemorações do 47º aniversário da Marinha de Guerra Angolana (MGA), o também Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas afirmou que o início da construção de navios de guerra em Angola poderá constituir-se em embrião para a indústria naval angolana.

João Lourenço sublinhou que o país deve investir, também, em mais bases marítimas para albergar a frota que tende a crescer em número e tamanho das embarcações.

Por outro lado, o Presidente da República afirmou, que a nova Base Naval do Soyo vai contribuir para o combate dos vários crimes praticados nas águas daquela região do país, como a pirataria, imigração ilegal e os diferentes tipos de tráfico, como o humano e de combustível.

Referiu que a Nova Base Naval do Soyo vai contribuir, de forma significativa, para o combate ao tráfico de combustível, uma prática que disse estar muito presente naquela região do país.

“Como sabemos, esta cidade do Soyo é, lamentavelmente, em termos de contrabando de combustível, a campeã, digamos. Portanto, pela negativa, é a campeã”, salientou.

O Chefe de Estado anunciou que os investimentos neste ramo das Forças Armadas Angolanas não vão se limitar à reabilitação da Base Naval do Soyo e da de Luanda, tendo revelado que o objectivo, quanto a essa questão, passa pela construção de uma base naval principal bem maior que estas duas.

“Temos toda a necessidade de construir a base naval principal para o país”, declarou o Presidente da República, salientando não estar satisfeito com a do Soyo e de Luanda. Dado o investimento feito pelo país neste sector, com destaque para a aquisição de meios navais pujantes, como as três corvetas já encomendadas, e a possibilidade de o país vir a adquirir, também, mais lá para frente, embarcações ao nível de fragatas, que estão acima das corvetas, o Presidente da República disse justificar a construção de uma base naval número um do país, que seja bem maior que e a da Ilha de Luanda.

No discurso oficial sobre a inauguração da Nova Base Naval do Soyo e da comemoração dos 47 anos de existência da Marinha de Guerra de Angola, o Presidente da República reforçou, a propósito, que o país deve investir em mais bases marítimas, para albergar estas frotas, bem como investir, igualmente, num estaleiro naval para a manutenção das frotas e iniciar a construção de navios de guerra em Angola, que disse ser embrião da indústria naval angolana.

Quanto ao programa de entrega das embarcações, referiu, no momento com a imprensa, que há prazos, que dependem, em alguns casos, do ritmo de pagamento, que disse estarem a ser feitos, tendo apresentado, como prova, a presença já no país de parte da frota.

“O nosso interesse é que todo o pacote seja concluído o mais rapidamente possível, mas, em princípio, até 2025 devemos ter aqui a totalidade das embarcações desta categoria”, garantiu o Chefe de Estado, reforçando que as três corvetas só começam a ser construídas este ano.

“Teremos a primeira, creio que em 2025, e, nos anos seguintes, vamos receber as outras duas”, aclarou. O Chefe de Estado felicitou todos os oficiais, almirantes, oficiais generais, sargentos, marinheiros e trabalhadores civis da Marinha de Guerra Angolana, pela passagem de mais um aniversário do ramo. Informou que estes investimentos vão ser extensivos a outros ramos das FAA.

Investimento nas FAA

O Presidente da República fez saber, no seu discurso, que o país foi confrontado, desde os primórdios da existência como nação, com a necessidade de investir na criação e fortalecimento das Forças Armadas, para garantir a defesa da Independência e da soberania nacional.

Fruto dessa e do heroísmo dos seus filhos e filhas, adiantou que, desde o dia do seu nascimento, a 11 de Novembro de 1975, o país soube enfrentar e vencer todas as agressões externas de que foi vítima a partir daquela data, derrotando e expulsando o exército do regime do apartheid da África do Sul, o que disse ter representado um contributo válido e determinante à luta dos povos para a libertação da África Austral.

Embora todos tenham contribuído por igual para a vitória final, João Lourenço ressaltou ser justo reconhecer que, pela característica da guerra, o Estado realizou, ao longo dos muitos anos do conflito, um investimento maior nas infra-estruturas e no apetrechamento em meios bélicos para o Exército e a Força Aérea.

Com o alcance da paz, salientou que o Estado angolano começou a prestar uma atenção, cada vez maior, à necessidade de fortalecer a Marinha de Guerra Angolana, com infra-estruturas em terra, embarcações marítimas de todas as categorias e sistemas de vigilância marítima para proteger a imensa costa, que se estende por cerca de 1.650 quilómetros.

O Chefe de Estado frisou ser neste quadro que se inaugurou ontem a Nova Base Naval do Soyo, para servir a Região Naval Norte, bem como a exibição das embarcações de patrulha, intercepção e transporte militar, que disse constituírem parte de um lote dos meios contratados à empresa naval Privinvest Shipbulding Investments LLC, ao abrigo do Despacho Presidencial n. 258/16 de 29 de Agosto do ano de 2016.

“Mais recentemente, foi, também, encomendada à empresa Abu Dhabi Shipbulding a construção de três modernas corvetas e embarcações de apoio”, realçou. No quadro destes esforços, o Presidente da República deu a conhecer que o país adquiriu, do Reino de Espanha, dois aviões C-295 da Airbus – que estão por chegar ainda este ano, equipados para missões de reconhecimento e vigilância marítima. “E estamos a negociar com a autoridade competente a possibilidade de aquisição também de meios navais”, aclarou.

Localização geográfica de Angola

O Chefe de Estado referiu que, pela sua localização geográfica, Angola e outros Estados das regiões Central e Austral de África devem estar preparados para contribuir na segurança do Golfo da Guiné, por ser uma rota marítima importante para o comércio internacional. Disse estar a acompanhar, com bastante atenção e apreensão, o crescente deteriorar da paz e segurança em diferentes pontos do planeta, começando pela África, onde disse que o terrorismo e as insurgências de diferentes motivações ameaçam as populações e as já frágeis economias.

João Lourenço afirmou que algumas das consequências imediatas e mais visíveis dos conflitos armados são, além das elevadas mortes, o assustador número de deslocados internos, de refugiados em países vizinhos, de emigrantes manipulados por redes de tráfico humano, o aumento da fome, das doenças, da pobreza e da miséria.

Referiu que a situação não é melhor em outras paragens do Globo, apontando o exemplo do Médio Oriente, onde a não implementação das resoluções das Nações Unidas sobre a necessidade da criação do Estado da Palestina para coabitar, pacificamente, com o Israel tem vindo a perpetuar o conflito.

“Ou, ainda, na Europa, com o surgimento da guerra levada a cabo pela Rússia contra um Estado soberano – a Ucrânia -, com consequências graves para o mundo”, destacou. O Presidente da República disse que este e outros conflitos que proliferam pelo mundo só vêm tornar, cada vez mais premente, a necessidade da urgência da reforma das Nações Unidas, em particular do Conselho de Segurança (CS), e das instituições financeiras de Breton Woods, saídas do fim da II Guerra Mundial, por já não reflectirem a realidade política, económica, demográfica e outras do mundo de hoje.

Esclareceu que África, América Latina e a Ásia reclamam o direito de ocupar assentos, como membros permanentes do Conselho de Segurança, não apenas para defenderem os direitos dos respectivos povos, mas, também, para serem parte activa das decisões a tomar sobre os assuntos globais do planeta, como a paz e segurança, a segurança alimentar, a segurança energética, a saúde pública, o comércio internacional, o clima e a defesa do ambiente, entre outros.

Centros de Vigilância Marítima

O Chefe de Estado antes de descerrar a placa da inauguração da Nova Base Naval do Soyo visitou o Centro de Vigilância daquele município da província do Zaíre. Disse que as obras das instituições, localizadas no Lobito, em Benguela, e no Namibe, estão a bom ritmo.

“Vamos fazer toda a pressão, no sentido de eles ficarem concluídos o mais rápido possível, na medida em que eles devem trabalhar em coordenação”, destacou, acrescentando que o do Soyo já está pronto. Apesar de o Centro de Vigilância Marítima do Soyo já estar pronto, João Lourenço explicou que a meta é conclusão de todos, nomeadamente, o de Luanda, Lobito e Namibe.

JA

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