Junho 20, 2024

A União Europeia (UE) apelou hoje ao exército sudanês e aos paramilitares para que facilitem a busca, recolha e retirada dos corpos das pessoas mortas no conflito, que este fim-de-semana entra no quarto mês.

A posição dos 27 foi feita em comunicado, no qual Bruxelas condena igualmente as recentes informações das Nações Unidas segundo as quais cerca de 90 pessoas foram enterradas numa vala comum na província sudanesa de Darfur Ocidental, no oeste do país, possivelmente com o envolvimento do grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês).

“A UE recorda igualmente que todos têm a obrigação de cooperar com as investigações do Tribunal Penal Internacional sobre esta atrocidade e todos os crimes cometidos durante as actuais hostilidades”, lê-se na nota.

O conflito sudanês iniciou-se em 15 de Abril e opõe o exército regular, liderado pelo “homem forte” do país, general Abdel Fattah al-Burhan, e as RSF, comandadas pelo também general Mohamed Hamdane Daglo.

As partes beligerantes são condenadas pela UE pela reiterada recusa em “procurar uma solução pacífica” para a situação.

“Deve ser negociado sem demora um cessar-fogo duradouro para garantir a protecção do povo do Sudão, cuja segurança está em risco. Todos os responsáveis pelas violações dos direitos humanos e pelo incumprimento do direito internacional (…) devem ser responsabilizados”, concluiu a UE.

Em Genebra, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) apelou à comunidade internacional para que dê uma resposta humanitária urgente para ajudar o povo do Sudão, atingido por um conflito que tem alimentado as tensões tribais na região do Darfur, agora palco de uma campanha de atrocidades.

“A população da capital, Cartum, Darfur e outras zonas do país vive em condições alarmantes, com um acesso mínimo aos cuidados de saúde, à água ou à electricidade, num contexto de aumento dramático dos preços dos produtos alimentares em todo o país”, afirmou o CICV.

É impossível verificar o número de mortos devido à violência contínua, entre bombardeamentos diários em Cartum e arredores e assassínios tribais no Darfur.

O CICV estima em “milhares de mortos, mais de dois milhões de deslocados internos e centenas de milhares de refugiados no Egipto, no Sudão do Sul” e no Chade, todos expostos à violência.

Cerca de 80% do sistema de saúde do país está actualmente destruído.

Face a esta situação, o CICV e o Crescente Vermelho Sudanês (SRCS, na sigla em inglês) “continuam a atravessar as linhas da frente, retirando os mais vulneráveis, ajudando na transferência dos detidos libertados e apoiando os hospitais em Cartum e nos arredores, no Darfur e noutras partes do Sudão”.

O CICV afirma que, desde o início do conflito, os seus trabalhadores humanitários conseguiram retirar 301 crianças do orfanato de Maygoma, na capital, distribuíram equipamento a 10 hospitais em Cartum, quatro no Darfur e seis noutras regiões do Sudão, e enviaram uma equipa de cirurgiões para o leste do Chade para prestar assistência aos feridos que conseguiram atravessar a fronteira.

O comité também facilitou a libertação de 125 detidos, incluindo 44 militares feridos, na qualidade de intermediário neutro e a pedido das partes em conflito.

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