Fevereiro 29, 2024

As Nações Unidas consideram hoje que o mundo está a “falhar às mulheres e às raparigas” em matérias como a luta contra a pobreza ao acesso à educação, a representação política ou oportunidades económicas.

Num relatório sobre a desigualdade de género publicado hoje, em que são analisados os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030 adoptados pelos Estados em 2015, a ONU mostra-se preocupada com os problemas persistentes.

“Quando olhamos para os dados, vemos que o mundo não está a conseguir avançar e alcançar a igualdade de género. Está a tornar-se um objectivo cada vez mais distante”, declarou à agência de notícias francesa AFP Sarah Hendriks, directora-executiva adjunta da agência ONU Mulher.

Um dos ODM, especificamente dedicado à igualdade de género, visa acabar com a discriminação, eliminar a violência contra as mulheres, os casamentos forçados e a mutilação genital, repartir o trabalho doméstico, garantir o acesso à saúde sexual e assegurar a participação efetiva na vida política e económica.

Mas “a meio caminho de 2030 (data para cumprir o ODS), o mundo está a falhar com as mulheres e as raparigas” e a maior parte das metas para este objectivo específico não está no bom caminho, refere o relatório.

Todos os anos, 245 milhões de mulheres com mais de 15 anos são vítimas de violência física por parte do seu parceiro, uma em cada cinco mulheres casa-se antes dos 18 anos, as mulheres fazem mais 2,8 horas de trabalho doméstico não remunerado do que os homens todos os dias e representam apenas 26,7% dos membros dos parlamentos democráticos.

Para alterar esta situação, a agência estima que seriam necessários investimentos adicionais de 335 mil milhões de euros por ano em cerca de cinquenta países em desenvolvimento, que representam 70% da população mundial.

Sarah Hendriks sublinhou que este montante “seria suficiente para encorajar todos” os indicadores dos ODS.

“Sabemos o que é necessário ser feito e o mundo tem de pagar por isso. Se fizermos da igualdade de género um objectivo de desenvolvimento específico, a trajectória pode mudar”, insistiu, pedindo que “as mulheres e as raparigas sejam colocadas no centro” das políticas públicas.

Em Julho, a ONU declarou que os ODM estavam “em perigo”, apelando a um “plano de salvamento” apenas algumas semanas antes de uma cimeira dedicada a esta questão, a 18 e 19 de Setembro.

Segundo a ONU, ao ritmo actual, 575 milhões de pessoas continuarão a viver na pobreza extrema em 2030, muito longe da erradicação desejada.

Destes, 342 milhões (60%) serão do sexo feminino, ou seja, cerca de uma em cada doze mulheres no mundo.

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