Maio 19, 2024

Discurso do Presidente da República, João Lourenço, na cerimónia de homenagem aos campeões mundiais e africanos em diferentes modalidades. | Palácio Presidencial, 24 Novembro 2023.

Excelências

Caros Campeões Mundiais

Estimados Convidados

Angola não era ainda um país independente, mas já nessa altura jovens angolanos como Barceló de Carvalho “Bonga” e Rui Vieira Dias Rodrigues Mingas, entre outros, se destacaram no desporto de alto rendimento em competições internacionais.

A boa semente estava lançada à terra, havia a necessidade apenas de regá-la, de cuidá-la com carinho e trabalho para garantir boas colheitas nos anos vindouros, o que efectivamente viria a acontecer. 

É assim que mesmo naqueles difíceis anos em que Angola estava a ser consumida pelas chamas da guerra, os nossos valentes jovens souberam dignificar o bom nome do nosso país, conquistando importantes vitórias nas mais diferentes modalidades desportivas em campeonatos africanos, havendo mesmo modalidades onde fomos campeões africanos por mais de dez anos consecutivos.

Hoje estamos aqui reunidos para homenagear os nossos campeões do mundo Rui Andrade, Heliane Caio e Osleny Thomas, assim como os vice-campeões do mundo Inelton Bombo, Ricardo Ximenes, Ruth Baltazar, Erik Rodrigo Banson, Hélder Kennedi Manuel, que se notabilizaram nas modalidades de Automobilismo de Resistência LMP2, Ju-Jitsu, Fisiculturismo, Lutas e Artes Marciais Mistas.

Pela importância das conquistas alcançadas, entendemos convidar – para testemunhar e honrar esta cerimónia de homenagem -, para além de governantes, políticos e de alguns membros da sociedade civil, os dignos representantes da família do desporto angolano, as federações desportivas, as equipas técnicas das selecções, os campeões africanos que obviamente almejam vir a ser algum dia campeões mundiais e os familiares dos homenageados.

Os feitos que acabam de protagonizar são um bom exemplo para a nossa juventude e para toda a sociedade angolana.

Vossas conquistas são uma mensagem clara a assinalar o caminho a seguir pelos jovens e angolanos no geral, uma mensagem que diz claramente que o caminho da glória, da superação e do sucesso, não depende do acaso, da sorte ou de se estar predestinado a vencer em  qualquer esfera da vida, nos estudos, no trabalho, nos negócios, se não houver dedicação, sacrifício, perseverança, se não se tiver bem definidas e programadas as etapas e metas a alcançar, ou como na vossa linguagem desportiva se diz, se não suar a camisola.

Minhas Senhoras, Meus Senhores,

O desporto angolano pode estar melhor se trabalharmos e investirmos na massificação a nível dos bairros, das comunidades, onde precisamos de disseminar espaços e quadras desportivas também com a contribuição de organizações da sociedade civil e da classe empresarial, no âmbito da sua responsabilidade social.  

Temos a necessidade de repensar e reorganizar o desporto escolar e universitário, com a organização de competições entre as instituições escolares ao nível de municípios, províncias e nacional e torná-lo no viveiro do desporto federado.

É importante também prestarmos maior atenção ao desporto federado e à necessidade de o tornar auto-sustentado.

Vamos continuar a construir infra-estruturas desportivas como estádios e pavilhões multiuso para a prática de diferentes modalidades num mesmo espaço. Estão a ser construídos os estádios do Huambo e do Uíge, assim como o centro de estágios para o desporto paraolímpico para diferentes modalidades, com alojamento e todos os equipamentos necessários, na cidade de Caxito, com data prevista de entrega no próximo ano e a que se vai dar o nome do campeão José Sayovo que suponho que esteja aqui presente. 

Hoje que temos o nosso primeiro campeão mundial no desporto motorizado, o Rui Andrade, sentimos que o país carece de pistas de corrida para motos e de um verdadeiro autódromo de padrões internacionais para que os nossos jovens não vejam as corridas apenas pela televisão e se interessem por esta modalidade que, afinal, também está ao alcance dos angolanos.

Contudo, não basta construir infra-estruturas desportivas se não conseguirmos encontrar o modelo certo para a sua gestão, manutenção e rentabilização. Não pode continuar a ser o Estado a fazer tudo para além do investimento inicial da sua construção, sob pena de continuarmos a assistir ao estado de degradação, de pouca e má utilização em que se encontram algumas das nossas principais infra-estruturas desportivas, muitas delas com pouco mais de dez anos apenas.

Aos nossos campeões mundiais, uma palavra: para dizer que Angola e os angolanos se sentem muito orgulhosos de ter os bons filhos que sóis, porque os vossos feitos são um valioso contributo na luta que a sociedade angolana leva a cabo na educação dos nossos jovens, na formação das suas personalidades, pela defesa dos valores da ética, do civismo e do patriotismo.

Muito Obrigado.

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