Fevereiro 25, 2024

O Presidente da República, João Lourenço, pediu, sábado, na localidade de Hogiwa, município de Porto Amboim, Cuanza-Sul, maior envolvimento e união entre o Estado, empresas públicas e privadas, incluindo a sociedade civil, para a salvaguarda das espécies vegetais e animais ameaçadas de extinção, em particular as tartarugas marinhas.

Aos jornalistas, após proceder à largada de 287 neonatos de tartarugas na zona de desova da foz do Rio Longa, no município do Porto Amboim, no quadro do Projecto Kitabanga, em alusão ao Natal Ecológico, o Chefe de Estado esclareceu que o interesse de Angola em proteger os mangais, as tartarugas e demais espécies em vias de extinção pela acção do homem coincide com o amplo movimento de protecção da natureza promovido pelas Nações Unidas.

“Cada país tem de fazer a sua parte. Em Angola estamos a fazer a parte que nos compete. Ao protegermos as tartarugas marinhas também estamos a proteger as tartarugas do mundo, por serem animais sem Pátria. A mesma tartaruga que estamos a ver hoje na foz do Rio Longa, amanhã pode ser vista nas praias de um outro continente. Significa dizer que o mundo tem de fazer um esforço conjunto para a protecção de todas as espécies animal e vegetal”, esclareceu o Chefe de Estado.

Para que a tendência de extinção das tartarugas, das aves endémicas como o Bico Longo de Angola, Ndua e demais espécies animais e vegetais “seja travada e conheça o reverso”, o Presidente da República pediu à sociedade angolana mais acções em prol da conservação do Planeta.

“Todos devem ser chamados a juntar forças e lutarmos para o mesmo fim, da protecção da Natureza”, indicou o Presidente da República, para quem não deve existir fronteiras (entre o público e privado) quando se fala da necessidade da protecção da Natureza.

João Lourenço reafirmou o empenho do Estado, da sociedade civil e das empresas públicas e privadas no Projecto Kitabanga, que tem permitido o nascimento e transferência para o mar de milhões de neonatos de tartarugas no país.

O Chefe de Estado manifestou-se satisfeito por constatar a existência de “muito boa gente” no país envolvida na empreitada da defesa do meio ambiente, alguns com recurso a meios próprios, sem esperar pela ajuda do Executivo. “Com poucos patrocínios de empresas, algumas coisas têm sido feitas. Quando sentimos que antes da ajuda as pessoas têm iniciativas, assim dá gosto em ajudar”, exteriorizou João Lourenço.

O Presidente da República disse que deixa o Cuanza-Sul, mais concretamente a Foz do Rio Longa, bastante satisfeito e com o sentimento do  dever cumprido. Sobretudo por ter compartilhado com as crianças e alunos da escola da comunidade de Hogiwa (a 60 quilómetros do município do Porto Amboim) o sentimento de protecção de um animal que merece ser protegido, porque está ameaçado pela acção predadora do homem.

João Lourenço elogiou, a propósito, o trabalho que tem sido implementado pelo Projecto Kitabanga (envolve 70 tartarugueiros), na educação das crianças em tenra idade sobre a necessidade da protecção das tartarugas marinhas.

O Casal Presidencial desembarcou do helicóptero na Foz do Rio Longa muito descontraído, de calções, camisolas e descalços quando procediam ao lançamento das pequenas tartarugas ao mar. Na sede do Projecto “Kitabanga Tartarugas” ouviram informações detalhadas do seu coordenador, Michel Morais, sobre os desafios e constrangimentos no decurso das actividades.

O segundo ponto da actividade presidencial foi na localidade de Hogiwa, onde o Chefe de Estado inaugurou uma escola primária de três salas e residências para os professores.

Natal solidário em Hogiwa

O Casal Presidencial aproveitou a estada na localidade de Hogiwa para festejar o Natal Solidário com mais de cem crianças locais, às quais ofereceu um almoço e brinquedos.

Os petizes receberam o Presidente da República e a Primeira-Dama com muitos aplausos e uma canção, cujo conteúdo aconselhava os cidadãos a manterem uma postura positiva perante a Natureza: Não matar e comer tartarugas, mas mantê-las sob protecção.

Um dos momentos que marcou a atenção dos presentes na gigantesca tenda, totalmente engalanada com balões e vários dizeres virados, sobretudo, para a necessidade da preservação das tartarugas, foi o de perguntas e respostas entre o Casal Presidencial e as crianças.

João Lourenço e Ana Dias Lourenço fizeram várias perguntas todas direccionadas à protecção das tartarugas e os meninos responderam prontamente. Perguntas como, por exemplo, o que é o meio ambiente, o que se deve fazer para proteger o ambiente, como está protegido o corpo e com quantas barbatanas as tartarugas se locomovem, de que nascem as tartarugas e quantas espécies existem no país, foram algumas das que foram feitas pelo Casal Presidencial, e prontamente respondidas pelos pequeninos.

De tanta prontidão e precisão nas respostas dos pequeninos, o Presidente da República, visivelmente satisfeito, afirmou o seguinte: “Constato que estas crianças já sabem muito de tartarugas, talvez mais do que os adultos. Temos a garantia de que no futuro teremos grandes protectores das tartarugas, o que nos deixa bastante satisfeitos”.

Breve historial

O Projecto Kitabanga Tartarugas arrancou em 2003, na região das Palmeirinhas e, 20 anos depois, monitora 105 quilómetros da costa. Tem quatro pontos de trabalho no Zaire entre a Praia dos Pobres e a Península da Sereia, no Soyo, Musserra e Kissembo.

Na província do Bengo, está na Barra do Dande. Em Luanda está a ser implementado nas Palmeirinhas, Sangano e Cabo-Ledo.

No Cuanza-Sul, o projecto está no Longa e no Quicombo. Em Benguela, na Caxiva/Catumbela e no Cuio.

Na província do Namibe, o projecto funciona no Farol de Santa, Bentiaba/Monono, Baía das Pipas e Flamingos.

O projecto protegeu, nos últimos 20 anos, mais de 45 mil ninhos, o que permitiu o nascimento e transferência para o mar de quatro milhões e 500 mil neonatos de tartarugas.

Trata-se de um projecto da Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto, em parceria com a Fundação Kissama, Universidade do Namibe e anuência do Ministério do Ambiente.

Nas praias monitoradas pelo projecto já se regista a redução da pressão sobre as tartarugas e aumento do conhecimento sobre a condição da população de tartarugas na costa angolana.

JA

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