Fevereiro 25, 2024

O governador do Banco Nacional de Angola disse hoje que a taxa de câmbio deve manter-se estável e a oferta de divisas permanecer em torno dos 600 milhões de dólares (556 milhões de euros) no primeiro trimestre de 2024.

Tiago Dias falava hoje num encontro com jornalistas onde foram apresentados dados sobre a evolução do mercado cambial em Angola e perspetivas de curto prazo.

“Estamos em crer que, no primeiro trimestre, a taxa de câmbio há-de se manter relativamente estável”, afirmou, sublinhando que não se trata de uma taxa fixa.

À data de hoje, um euro equivalia a 894 kwanzas, enquanto um dólar corresponde a 830 kwanzas.

A redução significativa das receitas de exportação (cerca de 28%), esteve na origem de uma menor disponibilidade de moeda estrangeira em 2023 (-37%) e levou a uma depreciação acumulada da moeda angolana na ordem dos 39% em 2023, particularmente acentuada nos meses de maio e junho.

Segundo Tiago Dias, o país continuou a ter disponibilidade de moeda estrangeira, apesar de ser substancialmente inferior à média da oferta de divisas em 2022, em torno dos 1,2 mil milhões de dólares mensais.

O governador prevê que a oferta se mantenha num “montante razoável” de 600 milhões de dólares, apesar de se ter registado excecionalmente um aumento na ordem dos 836 milhões de dólares (776 milhões de euros ao cambio atual) em janeiro deste ano.

“(As divisas) destinam-se essencialmente a atender despesas em moeda nacional designadamente salários, por isso admitimos que não haverá grandes alterações, até ao mês de março, altura em que acontece nova reunião do Comité de Política Monetário”, frisou.

Por outro lado, as reservas internacionais devem manter-se num patamar relativamente alto, acima dos 14 mil milhões de dólares (13 mil milhões de euros, acrescentando que não são estas divisas que são usadas para pagar bens e serviços, e sim as divisas transacionadas na plataforma Bloomberg ou compradas pelos bancos aos clientes que não participam nesta plataforma, essencialmente empresas do setor petrolífero e diamantífera.

Tiago Dias assinalou que, no ano passado, as importações tiveram uma redução significativa com destaque para os bens alimentares (na ordem dos 33%) e dos bens de consumo essenciais (- 45%)

“Em face desta menor oferta de bens alimentares não compensada pela produção nacional, que cresceu apenas na ordem dos 2%, tivemos uma inflação na ordem dos 20% e um desequilíbrio entre oferta e procura”, realçou o responsável do BNA.

“Se resolvermos o problema da oferta de bens essenciais de consumo podemos resolver o problema da inflação deste pais e o BNA cumprir a sua principal missão que tem a ver com a estabilidade dos preços”, complementou.

AO24

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