Maio 24, 2024

O Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda, erguido na área adjacente à Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, fica concluído no segundo semestre de 2025.

  Os dados foram avançados, ontem, pela ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Bragança Sambo, durante a visita efectuada pelo Presidente da República, João Lourenço, que serviu para constatar os avanços das obras.

A infra-estrutura de suporte científico consome um espaço de 60 mil metros quadrados, e, inclui, além da reabilitação dos edifícios existentes, com realce para o Centro Nacional de Investigação Científica, a construção de nove edifícios, que prevê albergar a administração do Parque Tecnológico, a incubadora de empresas, espaço para centros de investigação e empresas consolidadas, biblioteca, auditório para 250 pessoas, escritórios, restaurante, área comercial e estufa.

A construção do Parque de Ciência e Tecnologia contempla, ainda, um estacionamento para cerca de 600 viaturas, zonas verdes, espaço desportivo, arruamentos e passeios.

Durante aproximadamente duas horas e meia, o Chefe de Estado fez questão de tomar contacto com as incidências da obra, tendo, durante o período em que esteve a visitar o local, recebido explicações detalhadas de cada uma das áreas que estava a constatar, umas vezes da ministra Maria do Rosário Bragança Sambo e, outras, por intermédio do coordenador do Projecto de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, Ricardo Queirós.

O percurso da visita do Presidente da República ao futuro espaço tecnológico multissectorial, começou pelo edifício principal e estendeu-se a outros dois arguidos de raiz, no mesmo espaço. No local, o Chefe de Estado foi informado sobre os níveis de execução física e financeira, estimados em 46 e 45 por cento, respectivamente.

João Lourenço e os membros do Governo que o acompanharam deixaram-se embalar pela visita e percorreram, também, quase toda a zona que circunscreve o futuro Parque Tecnológico de Luanda, com realce para as zonas da Faculdade de Ciências Sociais e do Instituto Nacional de Fomento (INFOSI), onde alguns estudantes não perderam a oportunidade para ao ilustre visitante saudar.

“Penso que mostramos (ao Presidente) tudo quanto foi feito, em praticamente um ano. O facto de termos cinco edifícios já ao nível do segundo andar e com acabamentos, mostra bem o empenho das empresas que contratamos”, afirmou, aos jornalistas, Ricardo Queirós, optimista num desfecho dentro dos prazos.

Projecto de Desenvolvimento

O Parque de Ciência e Tecnologia de Luanda tem um enfoque tecnológico multissectorial e visa prestar um contributo à melhoria do ecossistema nacional de investigação científica, desenvolvimento e inovação, assim como na diversificação económica e crescimento socioeconómico do país.

De acordo, ainda, com o coordenador do Projecto de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, Ricardo Queirós, os beneficiários directos da infra-estrutura, estão localizados no interior do parque, nomeadamente os estudantes da Faculdade de Engenharia e de Ciências Sociais, ambos da Universidade Agostinho Neto, assim como o Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação (INFOSI), Agência Reguladora de Energia Atómica e o Centro Nacional de Investigação Científica.

Os beneficiários indirectos, esclareceu, são as empresas que vão utilizar os edifícios em construção e os estudantes que tenham ideias e queiram criar empresas de base tecnológica.

Ricardo Queirós explicou, também, que o Parque é parte do Projecto de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, devendo, por isso, apoiar a instalação de laboratórios em 18 escolas secundárias, formação de mais de 100 professores e 54 metodólogos, assim como na criação de bases de dados de propriedade intelectual e de gestão de dados científicos.

O projecto vai garantir, igualmente, 155 bolsas de estudo em pós-graduação, no Brasil e em Portugal, e outras 850 para meninas de famílias carenciadas que frequentem o ensino secundário e patrocinar 40 programas de investigação científica.


Realojamento

A empreitada do Parque Tecnológico vai obrigar a demolição de algumas residências integradas no perímetro das obras que, segundo o coordenador do Projecto de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, causam alguns constrangimentos às vedações à volta de alguns edifícios, cuja vizinhança não promove a colaboração e impede a execução de partes do projecto.

O Governo da Província de Luanda já fez o cadastramento de algumas famílias, estando o atraso no realojamento atempado da população, junto à Clínica Girassol, a impedir a execução de partes do projecto.

Ricardo Queirós esclareceu que a construção do Parque foi financiada em 90 por cento pelo Banco Africano de Desenvolvimento, sendo que os outros 10% proveêm, directamente, de fundos de contrapartida do Governo.

 Fomento da propriedade intelectual do país

A construção do Parque de Ciência e Tecnologia vai facilitar, entre várias outras valências, o fomento de actividades ao nível da propriedade intelectual e do desenvolvimento da ciência e tecnologia em Angola, garantiu o coordenador do Projecto de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia.

Em declarações aos jornalistas, no fim da visita do Presidente da República, Ricardo Queirós esclareceu que o projecto do Departamento Ministerial que representa é integrado por várias actividades, destacando como principal a  edificação do Parque de Ciência e Tecnologia.

“Temos outras actividades, como a formação de recursos humanos, a nível de pós-graduação, ensino secundário, bolsas de estudo e, também, ao nível da propriedade intelectual e fomento do desenvolvimento da ciência e tecnologia em Angola”, disse.

Ricardo Queirós referiu, ainda, que a importância do projecto prende-se com o facto de representar um instrumento em que os países investem, no sentido de promover a inovação científica e tecnológica.

“Um parque de ciência e tecnologia tem por objectivo aglomerar, num mesmo espaço, centros de investigação, instituições do ensino superior, empresas, no sentido de promover essa colaboração”, esclareceu, lamentando o facto de, na maior parte dos países, a comunicação e colaboração entre as instituições do ensino superior, as empresas e os centros de investigação científica não existir ou ser muito fraca.

O responsável disse, ainda, que Angola é membro afiliado da Associação Internacional de Parques de Ciência em Áreas de Inovação, justificando a condição com o facto de ter, ainda, um parque científico em construção.

“Uma vez estando operacional, seremos membros efectivos, porque temos participado em conferências anuais. Podemos sempre trocar experiências com outros países, que já têm estas infra-estruturas”, referiu.

JA

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