Maio 24, 2024

A abertura de um espaço mais amplo para as mulheres nos lugares de liderança e o seu empoderamento nos diversos estratos da sociedade angolana é a via mais eficaz para alcançar o crescimento económico do país, pelo facto de 52 por cento da população angolana ser constituída por pessoas do sexo feminino.

A perspectiva foi avançada, sábado, em Luanda, pela ex-ministra da Justiça de Portugal, Francisca Van-Dúnem, durante a sua apresentação na cerimónia  de lançamento da “Nova Comunidade de Líderes Mulheres”, uma iniciativa da Academia BAI, para criar competências entre as mulheres com vista a que possam ocupar lugares de liderança.

O evento, realizado no espaço multifunções da Academia BAI, em Talatona, foi prestigiado pela presença da Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, e contou com a presença de 250 mulheres, que fizeram parte das várias edições do programa “Women On Board”, ou seja, Liderança Executiva, cuja meta é permitir que um leque cada vez mais alargado de jovens da franja feminina atinja o sucesso na carreira profissional, no quadro do programa de paridade a ser implementado pelo Executivo.

Francisca Van-Dúnem ministrou uma Aula Magna subordinada ao tema “Inclusão, Paridade e Factores Determinantes para o Desenvolvimento das Nações”, na qual partilhou o seu rico repertório e outros casos de mulheres que atingiram o auge profissional em contextos em que a mulher ainda se deparava com estereótipos de natureza diversa.

Agora nas vestes de juíza conselheira jubilada, frisou que, ao contrário da estrutura demográfica global, em que existem mais homens do que mulheres, “aqui em Angola, nós somos maioritárias, pois 52 por cento da população angolana é feita por mulheres”, que pensam, agem, com responsabilidade social e política, que devem contribuir para a “recuperação da nossa vida colectiva”.

“É verdade que a questão da paridade é hoje uma preocupação em Angola, mas a estrutura da população não deixaria outra saída, na medida em que é necessário que  haja o empoderamento dos 52 por cento dos seus nacionais, pois nenhuma sociedade pode se dar o luxo de menosprezar mais de 50 por cento do seu capital humano, porque se não houver condições para que 50 por cento da população se exprima, se desenvolva, tenha oportunidade de crescer e construir com os seus diferenciados, teremos uma nação violenta”, alertou.

Angola, reiterou Francisca Van-Dúnem, tem dado importância nesta matéria, tanto é que em 2023 acolheu o Primeiro Fórum Internacional da Mulher Para a Paz e Para a Democracia, que contou com a presença da liberiana Ellen Johnson-Sirleaf, a primeira mulher eleita Presidente em África.

“Em Angola, como noutros países da África Subsaariana, as mulheres provaram que estão na primeira linha para responder às crises, às incertezas económicas e sociais em tempos de intempéries, pois elas garantiram a retaguarda das famílias em tempos de guerra, enfrentaram o comércio paralelo quando o conflito as levou ao insuficiente funcionamento da economia formal”, observou, lembrando que mesmo com as limitações no acesso às oportunidades e fraca literacia financeira, elas contam e convertem moeda emitida pelos vários bancos internacionais.

Ao concluír, a ex-ministra da Justiça de Portugal aconselhou as jovens mulheres a saberem fazer melhor as suas escolhas sobre aquilo que pretendem, aproveitar em melhor as oportunidades de formação, sem perder de vista a necessidade da sociedade encarar o desafio da paridade como uma das premissas para a criação de uma sociedade sã e llivre de graves problemas, que colocariam em causa o bem-comum.

 
Desafios futuros

Entre os desafios apontados pela juíza jubilada, o destaque foi para as questões ligadas às mudanças climáticas, à transição digital e ao domínio das novas tecnologias, porque, segundo sustentou, são temas universais e que ninguém se deve deixar ultrapassar, porque “é um problema do quotidiano, as nossas economias se pretendem cada vez mais verdes, a Inteligência Artificial está cada vez mais presente nas nossas vidas, numa

altura em que há serviços que hoje só são efectuados remotamente”.


Outorgados diplomas  a 35 técnicos nacionais

A Academia BAI procedeu, sexta-feira, em Luanda, à outorga de 35 diplomas a técnicos de várias instituições estatais e privadas que frequentaram a 4.ª e 5.ª edições do curso de  MBA (Master in Business Administration) em Soft Skills and Influence.

O evento deveria contemplar, também, a outorga dos diplomas da 1ª edição do curso de MBA em Gestão de Saúde, mas a cerimónia de entrega ficou adiada para a próxima quinta-feira, devido à indisponibilidade da ministra da Saúde de poder estar no acto, que vai testemunhar o lançamento de quadros dotados de capacidade para gerir, de forma eficaz, as unidades hospitalares que o Executivo está a erguer em todo o território nacional.

A presidente do Conselho de Administração da Academia BAI, Noelma Viegas d’Abreu, disse aos órgãos de comunicação social que a meta da instituição é que os profissionais adquiram conhecimentos para aplicarem nas suas empresas, porque as competências comportamentais são muito importantes, sobretudo para quem assume funções de gestão.

“Temos vindo a fazer parcerias com várias instituições e no caso particular com o Ministério da Saúde, na medida em que, por um lado, há  a construção das infra-estruturas, mas é preciso saber geri-las, pelo que existe a preocupação do Governo no que a formação de quadros e desenvolvimento de recursos humanos diz respeito.

É importante que todos nós tenhamos a noção de que não basta construir os edifícios, é necessário colocar as pessoas certas para trabalhar com as máquinas, com as infra-estruturas como um todo, mas fundamentalmente com as pessoas”, disse Noelma Viegas d’Abreu.

Entre os cursos de Pós-Graduação ministrados na Academia, há um destaque para Negócios Agrícolas, Gestão na Banca, Controlo de Gestão e Finanças, Gestão de Recursos Humanos e Benefícios Sociais, Gestão em Actuário  e Gestão de Risco, Organizações Humanas e Gestão de Seguradora.

JA

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