O presidente do Partido de Renovação Social (PRS), Benedito Daniel, defendeu este sábado, 15 de Novembro, em Luanda, a necessidade de Angola avançar para um modelo federal como solução para as assimetrias regionais, o reforço da autonomia local e a estabilidade política do país. O dirigente discursou no Complexo de Conferências do partido, no bairro Kapalanga, província de Luanda, durante o acto central do 35.º aniversário da formação política a assinalar-se no próximo dia 18 deste mês.
Perante militantes, simpatizantes e convidados, Benedito Daniel recordou que o PRS nasceu em 18 de Novembro de 1990, num contexto político marcado pelo partido único e pelo socialismo de orientação soviética, com o propósito de introduzir no debate nacional conceitos como o federalismo, a justiça social, a separação de poderes e a defesa da terra como propriedade originária do povo.
O líder do PRS fez uma análise crítica dos 50 anos de independência nacional, assinalados no passado dia 11 de Novembro, lembrando que o país viveu longos anos de guerra civil, desconfiança política, exclusão, corrupção e desigualdades regionais profundas. “Em cada esquina, em cada rua, em cada bairro, a pobreza extrema está aos olhos de todos nós”, alertou.
Benedito Daniel acusou ainda o Executivo de manter políticas insustentáveis e afirmou que muitas infraestruturas públicas construídas nas últimas décadas “não respondem às necessidades reais da população”, referindo-se a escolas, hospitais e estradas que, segundo disse, carecem de qualidade, quadros qualificados e manutenção adequada.
O dirigente destacou o contributo histórico do partido na afirmação de várias reformas, como a criação dos tribunais de Contas e Constitucional, bem como a recente institucionalização do subsídio de desemprego, proposta que, segundo afirma, o PRS defende desde a sua fundação. “Essa é uma vitória do PRS”, referiu..
Durante o discurso, o presidente reiterou que o federalismo é a única via capaz de aproximar o poder das comunidades, reduzir as assimetrias e eliminar tensões independentistas em regiões como Cabinda e o chamado Protetorado Lunda-Tchokwe. O PRS propõe a transformação das actuais 21 províncias em Estados federados com maior capacidade de gestão local.
Benedito Daniel apelou ao engajamento da juventude e das mulheres do partido, através da JURS e da UMRS, afirmando que 2027 representará “a terceira via” para os angolanos nas próximas eleições gerais. Reafirmou ainda outras bandeiras históricas do PRS, como a criação de um tribunal eleitoral independente, a eleição dos governadores provinciais e o subsídio de aleitamento materno, que considera urgente implementar.
O líder dos renovadores sociais concluiu declarando que a história reconhecerá o contributo do PRS na construção de Angola e instou os militantes a intensificarem a mobilização política. “É chegada a hora de federarmos Angola”, disse.

