Por ocasião dos 65 anos desde o início da luta Armada de Libertação Nacional que se assinala hoje, 4 de Fevereiro, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) exaltou, esta terça-feira, 3 de Fevereiro, o legado histórico dos heróis do 4 de Fevereiro de 1961, data que assinala o início da luta armada de libertação nacional contra o colonialismo português.
Em nota enviada ao Estado News, o Secretariado do Bureau Político da FNLA, recorda que os acontecimentos de 4 de Fevereiro de 1961 ocorreram na sequência da iminente transferência de presos políticos detidos nas cadeias de Luanda para o exterior do país, nomeadamente para Cabo Verde e Portugal, facto que precipitou a acção dos nacionalistas.
Por documento sustenta que o ataque às cadeias da então Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) foi inicialmente previsto para o dia 5 de Fevereiro, mas acabou por ser antecipado para sexta-feira, 4 de Fevereiro, aproveitando-se do relaxamento das autoridades coloniais no início do fim-de-semana, bem como da redução das patrulhas militares na capital.
A FNLA destaca o papel do Cônego Manuel Joaquim Mendes das Neves, então vigário da Arquidiocese Geral de Luanda, apontado como um dos principais mentores da acção, em articulação com a União das Populações de Angola (UPA). Natural do Golungo-Alto, actual província do Kwanza-Norte, o sacerdote utilizava o pseudónimo “Makarius” e esteve fortemente envolvido na mobilização política e na denúncia das injustiças do regime colonial.
De acordo com a nota, Manuel das Neves foi deportado para Portugal em Março de 1961, onde foi preso e encarcerado na cadeia do Aljube, em Lisboa. Viria a falecer em Dezembro de 1966, após anos de perseguição política, tendo sido sepultado em segredo por imposição da polícia política portuguesa.
O partido sublinha ainda que os relatos e documentos produzidos pelo sacerdote sobre os trabalhos forçados, as injustiças e as atrocidades cometidas contra o povo angolano foram enviados para o então Congo-Belga, actual República Democrática do Congo, contribuindo para a sensibilização da comunidade internacional sobre a realidade colonial em Angola.
Na declaração, a FNLA considera que o Padre Manuel das Neves deveria ter sido o primeiro nacionalista a ser condecorado a título póstumo, reconhecendo-o como um dos grandes heróis da libertação nacional.
A direcção do partido afirma inclinar-se perante a memória dos nacionalistas do 4 de Fevereiro e rende homenagem a todos os filhos de Angola que deram as suas vidas para que o mundo tomasse conhecimento das injustiças e atrocidades do colonialismo português.

