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Angola propõe cessar-fogo entre Governo da RDC e rebeldes do M23, especialista alerta para complexidade do conflito

O especialista em Relações Internacionais, Damarcio dos Santos, considera que o conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC) é altamente complexo e de difícil resolução imediata, devido à conjugação de factores internos e externos que alimentam a instabilidade na região.

Segundo o académico, trata-se de uma crise marcada por interesses securitários, geoestratégicos e geopolíticos, envolvendo diversos actores regionais e internacionais, entre os quais o Ruanda, apontado como um dos intervenientes fundamentais no actual cenário. Para o especialista, a falta de confiança entre as partes constitui o principal obstáculo ao cumprimento efectivo de eventuais acordos de paz.

Damarcio dos Santos destacou ainda o papel activo de Angola como mediador, sublinhando que o país tem demonstrado empenho consistente na busca de soluções diplomáticas, afirmando-se como um actor relevante na gestão de conflitos regionais. Contudo, defende que as negociações só terão resultados positivos quando responderem aos interesses de ambas as partes envolvidas.

O especialista considera igualmente que Angola deve continuar a apoiar a RDC, embora admita a necessidade de rever estratégias de mediação. Mostrou-se céptico quanto a uma resolução rápida do conflito, alegando que as actuais condições políticas e de segurança não favorecem avanços significativos a curto prazo.

Entretanto, a República de Angola propôs a entrada em vigor de um cessar-fogo entre o Governo da RDC e o grupo armado M23, com início previsto para o próximo dia 18 de Fevereiro, aguardando-se ainda um posicionamento oficial das partes sobre a aceitação da proposta.

De acordo com um comunicado da Presidência da República enviado ao Estado News, a iniciativa resulta de um encontro realizado recentemente em Luanda, que reuniu o Presidente angolano, João Lourenço, o Presidente do Togo, Faure Essozimna Gnassingbé, o Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, e o ex-Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo. A proposta surge no âmbito de consultas mantidas com diferentes intervenientes no processo de pacificação regional.

No mesmo documento, a Presidência informa que o início da fase preparatória do diálogo inter-congolês, a decorrer em Luanda, será anunciado oportunamente, sem indicação de datas específicas.

A mediação angolana integra os esforços diplomáticos regionais para a estabilização do leste da RDC, uma região marcada por recorrentes tensões político-militares e desafios de segurança.

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