O investimento do Governo angolano na Educação permanece abaixo das necessidades do sector e do ritmo de desenvolvimento do país. A admissão foi feita esta segunda feira, 23 de Fevereiro de 2926, pela ministra das Finanças, Vera Daves, durante o programa Economia 100 makas, ao reconhecer que os recursos actualmente alocados não são suficientes para responder aos desafios estruturais da área.
A declaração reacende o debate sobre as prioridades orçamentais do Executivo. Num contexto em que sectores considerados estratégicos têm registado reforço de verbas, a Educação — apontada como pilar fundamental para o crescimento sustentável — continua com limitações financeiras que podem comprometer a formação das novas gerações e o futuro económico e social de Angola.
Segundo a governante, o problema não é recente. Trata-se de uma questão estrutural que envolve não apenas a disponibilidade de fundos, mas também a capacidade de expansão da rede escolar, contratação e formação de professores, aquisição de materiais pedagógicos e melhoria das infraestruturas.
Em exclusivo ao Estado News, o jurista Onésimo Katchivalela, sublinhou que admissão da ministra deve ser vista como um reconhecimento importante, mas insuficiente se não for acompanhado de medidas concretas. O especialista considera que a Constituição da República consagra a Educação como um direito fundamental e impõe ao Estado a responsabilidade de garantir condições adequadas para a sua efectivação.
Katchivalela defende que a suborçamentação crónica do sector pode configurar uma falha no cumprimento das obrigações constitucionais, sobretudo num contexto em que o país enfrenta elevados índices de desemprego juvenil e défices na qualificação técnica. Para o jurista, investir na Educação não deve ser encarado como despesa, mas como investimento estratégico de longo prazo.
A admissão pública da ministra abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre a necessidade de reformas e de maior priorização do sector no Orçamento Geral do Estado, sob pena de se comprometer o desenvolvimento humano e económico a médio e longo prazo.


