A UNITA voltou a dar sinais de desorganização interna ao cancelar, à última hora, a sua participação num debate público sobre a Estratégia Económica, inicialmente agendado para o próximo dia 23 deste mês, em Luanda.
O recuo foi protagonizado pelo economista e militante da UNITA Nataniel Fernandes, indicado para representar o partido, que acabou por declinar o convite sob o argumento de que a sua participação não estava autorizada pela direcção, além de alegadas falhas de protocolo por parte do canal organizador.
A justificação, no entanto, levanta mais dúvidas do que esclarecimentos, numa altura em que se esperava que o maior partido da oposição estivesse disponível para submeter as suas propostas económicas ao escrutínio público.
Contactado sobre o assunto, o porta-voz da UNITA, Francisco Falua, limitou-se a alegar falta de informação, evitando assim qualquer esclarecimento político sobre o sucedido, uma posição que reforça a percepção de falta de coordenação interna.
O debate, que teria lugar num ambiente académico, reuniria nomes como Heitor Carvalho, Arsénio Bumba e Carlos Rosado de Carvalho, e era visto como uma oportunidade para a UNITA demonstrar consistência técnica e capacidade de governação.
Fontes ligadas à organização do evento não escondem o desconforto com a desistência, sublinhando que a ausência do partido compromete o contraditório e empobrece o espaço de discussão pública.
Mais do que um simples cancelamento, o episódio expõe fragilidades na articulação interna da UNITA e levanta interrogações sobre a sua prontidão para governar, sobretudo num momento em que o país exige soluções claras para os desafios económicos.
Numa fase pré-eleitoral, em que a disputa política se intensifica, episódios desta natureza tendem a pesar na avaliação do eleitorado, que procura sinais de firmeza, organização e clareza programática por parte das forças políticas.

