Uma delegação empresarial belga está em Luanda a tentar posicionar-se no sector da saúde angolano, apresentando um pacote de soluções tecnológicas que promete atacar problemas crónicos do sistema, desde o tratamento de resíduos hospitalares até à distribuição de medicamentos em zonas remotas.
A iniciativa enquadra-se na Missão Económica Bélgica–Angola 2026 e junta interesses diplomáticos e empresariais, num momento em que o país procura captar investimento externo com foco em inovação e sustentabilidade.
No encontro com a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, e altos responsáveis do sector, os empresários colocaram em cima da mesa três propostas centrais.
A primeira vem da HeiQ Chrisal, que defende o uso de probióticos para desinfecção hospitalar, uma abordagem pouco convencional que levanta expectativas, mas que deverá passar pelo crivo técnico das autoridades sanitárias, sobretudo no que toca à sua eficácia e adaptação ao contexto local.
Já a Ecosteryl aposta na resolução de um dos problemas mais sensíveis do sistema: o tratamento de resíduos hospitalares. A empresa propõe um equipamento que recorre à trituração e micro-ondas para neutralizar resíduos perigosos, convertendo-os em lixo comum, numa solução que pode reduzir riscos ambientais, caso seja implementada de forma consistente.
Mais ambiciosa é a proposta da iPROMAC, que pretende introduzir drones no transporte de emergência médica. A tecnologia permitiria encurtar distâncias no envio de sangue, vacinas e medicamentos, sobretudo para zonas de difícil acesso, embora dependa de regulamentação e de condições operacionais ainda por testar no país.
O embaixador da Bélgica, Stéplanane Dopragne, foi directo ao ponto: a intenção é transformar contactos em negócios. “Trouxemos empresários com soluções práticas e adaptáveis à realidade angolana. O objectivo é estabelecer parcerias locais e gerar impacto real”, afirmou.
Do lado angolano, o discurso mantém-se cauteloso. Sílvia Lutucuta reconheceu o potencial das propostas, mas deixou claro que a adopção não será automática. “Estas soluções devem ser analisadas à luz das necessidades do país e do nosso quadro regulatório”, disse, referindo-se particularmente ao uso de drones.
A governante destacou ainda um ponto sensível nas parcerias internacionais: a transferência de conhecimento. Segundo afirmou, o Executivo privilegia projectos que incluam formação, produção local e capacidade de manutenção interna, evitando dependência externa a longo prazo.
A missão belga, que decorre até 8 de Maio entre Luanda e o Lobito, envolve 21 empresas e surge alinhada com o reforço das relações económicas entre Angola e a União Europeia, num contexto em que o Corredor do Lobito é apontado como eixo estratégico.
Apesar do discurso optimista, a entrada destas tecnologias no sistema de saúde angolano dependerá menos das apresentações e mais da capacidade de execução, financiamento e fiscalização, factores que historicamente têm condicionado reformas no sector.

