O Governo angolano iniciou esta segunda-feira, 11, um programa de reforço técnico nos hospitais de referência do país com recurso a especialistas provenientes de Portugal, Brasil e Nigéria, numa altura em que persistem críticas sobre as fragilidades estruturais do Sistema Nacional de Saúde.
A operação, coordenada pelo Ministério da Saúde através do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), visa capacitar internos de especialidade em enfermagem nas áreas de cuidados intensivos, emergência e trauma, nefrologia, saúde materno-infantil e neonatologia.
O encontro de enquadramento técnico decorreu nas instalações do MINSA, em Luanda, reunindo gestores do projecto, consultores internacionais, directores hospitalares e representantes da empresa Openmind, responsável pelo suporte tecnológico do programa.
As aulas arrancam esta semana em formato híbrido, combinando sessões presenciais, videoconferência e prática hospitalar, permitindo que formandos em diferentes províncias acompanhem os conteúdos ministrados a partir de Luanda.
Apesar da apresentação oficial destacar o “fortalecimento do capital humano”, a iniciativa surge num contexto marcado pela contínua dependência de quadros estrangeiros para assegurar formação especializada em sectores críticos da saúde pública.
Fontes ligadas ao sector consideram que a entrada massiva de especialistas internacionais reflecte igualmente as dificuldades do país em consolidar, ao longo dos anos, um sistema autónomo de formação avançada capaz de responder à crescente procura hospitalar.
O programa será implementado em unidades hospitalares de Luanda, Benguela, Huambo, Cabinda, Huíla e outras províncias, contando com supervisão técnica do Banco Mundial e parceiros internacionais.
Durante os trabalhos, os responsáveis discutiram os desafios operacionais da expansão dos cursos de especialização, num cenário em que hospitais continuam confrontados com carência de equipamentos, défice de pessoal qualificado e limitações logísticas.
O coordenador técnico do projecto, Job Monteiro, defendeu a necessidade de aproveitar a experiência dos especialistas estrangeiros para acelerar a formação de enfermeiros especializados e alinhar Angola aos padrões internacionais.
Com milhares de profissionais envolvidos, o Executivo apresenta o programa como uma das maiores iniciativas de capacitação avançada em enfermagem já realizadas no país, embora persistam dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo e a capacidade futura das instituições nacionais assumirem integralmente a formação especializada sem dependência externa.

