O general na reforma Francisco Higino Lopes Carneiro acusou estruturas do MPLA de estarem a impedir militantes de regularizar quotas partidárias, numa altura em que se intensificam as movimentações em torno do Congresso do partido previsto para este ano.
Numa publicação recente tornada pública nas redes sociais, Higino Carneiro refere que, apesar da “enorme vontade” dos militantes em pagar quotas em atraso nos Comités de Acção do Partido, os pagamentos estariam a ser rejeitados em quase todas as províncias, sobretudo nos municípios e comunas.
Segundo o antigo Primeiro Secretário do MPLA em várias províncias, em situações em que os pagamentos chegam a ser efectuados, os responsáveis locais alegam não possuir autorização superior para emitir recibos, documento indispensável para validar fichas de subscrição de apoio a candidatos internos.
“O Congresso deste ano fará história”, escreveu Higino Carneiro, insinuando a existência de um ambiente atípico dentro da formação política no poder.
O político questiona ainda as razões que levam os Departamentos de Administração e Finanças (DAF) do partido a recusarem a regularização das quotas, apesar das necessidades financeiras da organização.
“O MPLA precisa de dinheiro e, ainda assim, não aceita que as quotas sejam regularizadas?”, interrogou.
As declarações de Higino Carneiro estão a ser interpretadas em meios políticos como um sinal de descontentamento interno e uma denúncia indirecta de alegadas barreiras administrativas visando condicionar apoios e alinhamentos no quadro da disputa interna que antecede o próximo Congresso do MPLA.

