Um esquema estruturado de mineração ilegal de criptomoedas, sustentado por furto de energia eléctrica em larga escala, foi desmantelado pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) no município de Viana, em Luanda, após uma investigação prolongada que revelou uma complexa infra-estrutura tecnológica a operar de forma camuflada no interior de uma antiga unidade fabril.
Segundo dados avançados pelas autoridades, o centro clandestino estava equipado com mais de 1.500 processadores específicos para mineração de activos digitais, operando de forma contínua e com elevado consumo energético. Para alimentar a actividade, os responsáveis utilizavam clandestinamente dois postos de transformação (PT’s) com capacidade de 2000 Kva cada, interligados a um posto adicional de 500 Kva pertencente à rede pública, sem qualquer facturação junto da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE).
As autoridades indicam que o esquema provocava prejuízos financeiros significativos ao Estado, além de causar subcargas e instabilidade na rede eléctrica local, com potenciais impactos negativos no fornecimento regular de energia às comunidades e às actividades económicas da zona.

A operação policial foi realizada no passado dia 6 de Fevereiro pela Direcção Nacional de Combate aos Crimes Informáticos do SIC, em cumprimento de mandado de Revista, Busca e Apreensão emitido pelo Gabinete de Cibercrime e Prova Electrónica da Procuradoria-Geral da República (PGR), com coordenação operativa do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) e apoio de outros órgãos de defesa e segurança.
O SIC refere que durante a intervenção foram detidos quatro cidadãos nacionais, com idades entre os 23 e 41 anos, responsáveis pela manutenção e funcionamento técnico da infra-estrutura. As investigações apontam que a rede era alegadamente liderada por cidadãos chineses actualmente em fuga, estando em curso diligências para a sua localização e responsabilização criminal.
De acordo ainda com o SIC, o equipamento tecnológico apreendido encontra-se sob custódia das autoridades para exames periciais e análise de provas digitais, enquanto decorrem diligências destinadas a apurar a dimensão financeira do esquema, identificar outros envolvidos e rastrear possíveis conexões com redes internacionais de mineração ilegal.
Os suspeitos poderão vir a responder por crimes relacionados com furto de energia, associação criminosa, acesso ilegítimo a infra-estruturas e outros ilícitos previstos na legislação penal angolana aplicável ao cibercrime e à criminalidade económica.
As autoridades garantem que as investigações prosseguem sob coordenação do Ministério Público, não estando excluída a realização de novas detenções à medida que forem reunidos mais elementos probatórios.


