Enquanto o discurso oficial insiste na melhoria dos serviços de saúde em Angola, o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé” apresentou, esta terça-feira (5), um caso apontado como “sucesso absoluto” no tratamento de aneurismas cerebrais, uma condição frequentemente associada ao Acidente Vascular Cerebral.
O feito, destacado pela direcção clínica da unidade, envolveu duas intervenções de elevada complexidade realizadas por uma equipa exclusivamente angolana, liderada pelos médicos Wilson Teixeira e Celestino Delgado. A aposta recaiu sobre o método endovascular, técnica menos invasiva que dispensa a abertura do crânio e reduz o tempo de recuperação dos pacientes.

De acordo com o neurocirurgião Wilson Teixeira, os casos chegaram à unidade em estado considerado delicado, tendo sido submetidos a um procedimento que consiste na introdução de um microcateter até ao cérebro para aplicação de “coils”, pequenas molas de platina destinadas a interromper o fluxo sanguíneo no aneurisma e evitar a sua ruptura.
Já Celestino Delgado sublinhou que o recurso à neurorradiologia de intervenção permite actuar com maior precisão em áreas profundas do cérebro, minimizando danos colaterais. A equipa médica refere ainda que o desempenho mereceu reconhecimento de especialistas da Brasil.
Apesar do avanço técnico apresentado, o caso surge num contexto em que persistem desafios estruturais no sistema nacional de saúde, frequentemente criticado por limitações de meios e acesso desigual. Ainda assim, o episódio é utilizado pelas autoridades hospitalares como demonstração de capacidade interna e evolução no domínio da neurocirurgia.


