9 de Junho, 2026

A UNITA voltou a subir o tom das críticas ao Executivo, colocando em causa a credibilidade do último Censo Geral da População e Habitação, denunciando o agravamento da crise social e exigindo a apresentação de um Orçamento Geral do Estado Rectificativo para 2026.

As posições constam do comunicado final da III Reunião Ordinária do Comité Permanente da Comissão Política, realizada na terça-feira, 3 de Junho, em Luanda, sob presidência de Adalberto Costa Júnior.

No documento, a direcção do maior partido na oposição considera que a subida do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais não se reflecte na melhoria das condições de vida dos cidadãos. Pelo contrário, sustenta que a crise social continua a agravar-se e desafia o Governo a adoptar medidas concretas para aliviar o sofrimento das populações.

A UNITA defende mesmo que o Executivo deve avançar com um Orçamento Rectificativo, argumentando que o aumento das receitas petrolíferas justifica uma revisão das previsões económicas para o presente exercício.

Outro ponto sensível abordado pelo Comité Permanente foi a escassez de combustíveis registada em várias províncias do país. O partido exige explicações públicas sobre as razões da situação e questiona a capacidade do Governo para garantir o fornecimento regular de produtos petrolíferos.

No plano político, a formação liderada por Adalberto Costa Júnior voltou a denunciar alegados actos de intolerância política em diferentes regiões do país, acusando implicitamente as autoridades de não criarem um ambiente favorável ao exercício pleno das liberdades democráticas.

Mas a crítica mais contundente recai sobre o processo censitário. A UNITA sustenta que milhares de cidadãos não foram visitados nem registados durante o levantamento de dados, facto que, na sua leitura, compromete a fiabilidade dos resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A poucos meses do arranque das movimentações políticas com vista às próximas eleições, o partido demonstra igualmente preocupação com as dificuldades na emissão de Bilhetes de Identidade, documento indispensável para o exercício do direito de voto. Para a oposição, a incapacidade dos serviços públicos em responder à procura poderá criar constrangimentos à participação eleitoral.

O Comité Permanente aproveitou ainda a reunião para lamentar as consequências das enxurradas na província de Benguela, criticando o tratamento dispensado aos sinistrados, e manifestou pesar pelas vítimas do desabamento de uma mina artesanal de ouro no Bengo.

A Direcção da UNITA prestou igualmente homenagem a Dom Zacarias Kamwenho, Arcebispo Emérito do Lubango, figura destacada da Igreja Católica angolana e um dos rostos mais influentes dos processos de reconciliação nacional.

No capítulo interno, o partido diz registar crescimento da sua implantação em várias regiões do país, apesar dos “constrangimentos” que afirma enfrentar. O Comité Permanente aprovou ainda os relatórios de actividades e contas apresentados pelo Secretariado Executivo e validou o plano de actividades para os próximos meses.

Ao encerrar a reunião, a UNITA reiterou o compromisso com aquilo que considera ser a luta por uma Angola mais democrática, reafirmando a estratégia da Frente Patriótica para a Alternância do Poder, bandeira política que continua a marcar o discurso da oposição.

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