23 de Junho, 2026

O economista Arsénio Bumba defendeu que a aplicação de mais de 100 mil milhões de kwanzas aprovados pelo Presidente da República, João Lourenço, para o reassentamento das famílias afectadas pelas cheias na província de Benguela deve obedecer a elevados padrões de transparência, eficiência e fiscalização.

Para o especialista, o sucesso da iniciativa dependerá da forma como os recursos forem geridos e da capacidade de garantir soluções habitacionais seguras e duradouras.

Segundo Arsénio Bumba, a decisão do Executivo possui uma forte dimensão humanitária, uma vez que as cheias provocaram perdas materiais significativas, destruição de habitações e o deslocamento de milhares de famílias. O economista considera que, nestas circunstâncias, a intervenção do Estado é necessária para assegurar condições mínimas de dignidade, segurança e protecção às populações afectadas.

Além da componente social, o também docente universitário destaca os benefícios económicos da medida. Na sua visão, o investimento poderá reduzir custos futuros relacionados com assistência alimentar, saúde pública, educação e reconstrução emergencial. Acrescenta ainda que a construção das habitações e das infraestruturas associadas poderá gerar empregos temporários, dinamizar o sector da construção civil e estimular a actividade de pequenas e médias empresas.

Contudo, Bumba alerta que os novos empreendimentos devem ser concebidos com critérios de resiliência às alterações climáticas, evitando a ocupação de zonas de elevado risco de inundação. Defende igualmente a implementação de políticas complementares de ordenamento do território, drenagem urbana, gestão de bacias hidrográficas e prevenção de desastres naturais.

A posição do economista surge numa altura em que o Presidente da República autorizou despesas superiores a 100 mil milhões de kwanzas para a construção de mais de duas mil residências nos municípios de Benguela, Catumbela e Lobito. Uma das autorizações, superior a 40 mil milhões de kwanzas, já foi publicada em Diário da República e prevê a construção de 725 habitações.

Recentemente, o ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Alberto dos Santos, lançou a primeira pedra do primeiro lote de 225 casas, num investimento superior a 11 mil milhões de kwanzas. O Executivo prevê ainda adjudicar novos lotes habitacionais nos próximos dias, com vista a acelerar o processo de realojamento das famílias afectadas pelas cheias que atingiram Benguela em Abril deste ano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *