O adiamento do julgamento do presidente do Conselho de Administração (PCA) da Konda Marta, Daniel Afonso Neto, voltou a alimentar críticas dos seus apoiantes, que acusam as autoridades de promoverem uma perseguição judicial contra o empresário em consequência das denúncias que tem apresentado sobre alegadas irregularidades relacionadas com a empresa.
Os membros da Konda Marta defendem que Daniel Neto não deveria ter sido constituído arguido, por entenderem que apenas exerceu o direito de denunciar a alegada invasão de terras da empresa e a morte de um jovem identificado Alves Benjamim, atribuída por si a supostos agentes da Polícia Nacional afectos ao Comando Municipal da Camama, na zona da Vila Kiaxi, em Luanda.

O julgamento, inicialmente previsto sexta-feira passada, foi adiado para o próximo dia 30 de junho, no Tribunal da Comarca de Luanda, Palácio Dona Ana Joaquina. O empresário responde a um processo por alegados crimes de difamação e calúnia, instaurado pelo antigo ministro do Interior e actual governador da província do Cuanza-Sul, Eugénio Laborinho.
Em declarações à imprensa, Daniel Neto afirmou não compreender a razão da sua constituição como arguido, insistindo que se limitou a denunciar factos que considera relevantes.

“É a justiça que nós temos, é o país que nós temos. Temos de nos contentar, porque foi aqui que nascemos. Já passei por mais de cinco detenções e seis julgamentos”, afirmou, acrescentando esperar que o processo tenha um desfecho favorável, desde que não existam interferências políticas.
O gestor voltou igualmente a criticar o funcionamento da justiça angolana, alegando que os processos de que tem sido alvo visam intimidá-lo e silenciar as suas denúncias.
Até ao momento, não há qualquer reacção das autoridades judiciais às acusações de perseguição formuladas por Daniel Neto.


