Julho 20, 2024

A Reserva Estratégica Alimentar (REA) angolana contribui, “de modo directo e assinalável”, para a “redução e estabilização” dos preços dos produtos da cesta básica, apesar de este fenómeno “não ser ainda muito sentido” pelos angolanos, segundo um estudo.

O estudo da Afrosondagem sobre o impacto da REA no comportamento dos produtos da cesta básica em Angola, elaborado entre Março de 2022 e Março de 2023, indica que os preços “reduziram significativamente” desde à sua implementação em 22 de Dezembro de 2021.

Os preços no comércio a grosso caíram 29 por cento e no comércio a retalho registaram também uma queda de 31 por cento, “representando um ganho significativo para o orçamento das famílias”.

Arroz, milho, soja, açúcar e frango são alguns dos produtos que compõem a REA, cuja operacionalização, a cargo do grupo privado Carrinho, teve início em 22 de Dezembro de 2021, uma iniciativa do Governo angolano com vista a baixar os preços dos produtos alimentares essenciais.

O estudo encomendado pelo Entreposto Aduaneiro de Angola, entidade que coordena a REA, refere que a “elevada descida” dos preços dos produtos alimentares da cesta básica em Angola “dá-se em contraciclo com um grande aumento dos níveis de inflação e dos preços destes produtos a nível mundial”.

“Desde que a REA foi lançada, verifica-se também um condicionamento positivo dos operadores do mercado, que resulta num comportamento mais estável, tanto na oferta de produtos, como na manutenção dos preços”, lê-se no documento.

A pesquisa contemplou um inquérito a empresas angolanas, realizado entre 5 e 8 de Abril de 2022 nas províncias de Luanda, Benguela, Huíla, Huambo, Cabinda e Lunda-Norte, numa amostragem de 209 entrevistas.

Um inquérito às famílias angolanas foi também realizado, no âmbito do estudo, entre 4 e 7 de Abril nas mesmas províncias, totalizando 825 entrevistas.

Assinala também que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram uma “quebra acentuada” na variação mensal do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos alimentos e bebidas não alcoólicas na formação do IPC, tendo passado de 1,74 por cento em Março de 2022 para 0,79 por cento em Março de 2023.

“O que representa uma quebra superior a 50 por cento”, sublinha a pesquisa, referindo, no entanto, que a redução dos preços “não é, ainda assim, muito sentida pelos angolanos”.

JA

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