Fevereiro 25, 2024

Centenas de pessoas marcharam, sábado, em Luanda, contra a propagação do VIH/Sida.

Durante a marcha, que começou na Cidadela Desportiva e terminou na Praça da Família, foram disponibilizados dados, pela Rede Angolana das Organizações de Serviço de Sida, Tuberculose e Malária (ANASO), que dão conta que o número de seropositivos passou de 340 mil, em 2016, para 550 mil até ao ano passado.

O presidente da ANASO, António Coelho, explicou que, apesar de estudos ainda estarem a ser feitos para determinar o número real ou aproximado de casos, regista-se o aumento de pessoas com VIH/Sida, tendo defendido  maior compromisso político e investimentos na área do combate à doença, para evitar a sua propagação nas comunidades.

António Coelho, que falava durante a marcha contra o VIH/Sida, em alusão ao 1 de Dezembro, Dia  Mundial de Luta  Contra a  Doença, disse que, actualmente, os dados da ANASO dependem de estimativas fornecidas pela ONU/Sida.

O país, acrescentou, continua com uma taxa de seroprevalência de dois por cento, existindo estimativas que dão conta que entre 190 a 250.000 mulheres vivem com HIV, bem como 35 a 40 mil crianças.

Segundo o presidente da ANASO, os dados apontam que, anualmente, regista-se uma média de 21 mil novo casos de Sida e 13.000 mortes causadas pela doença, em cinco anos.

 
Mensagem de pessoas que vivem com Sida

Mbunga Paulo, em representação das pessoas que vivem com o síndrome de imunodeficiência adquirida, disse que Angola está muito aquém das expectativas no que diz respeito à inclusão de pessoas vivendo com VIH/Sida nas estratégias de desenvolvimento, combate ao estigma e discriminação.

“Continuamos a morrer por falta de assistência médica e medicamentosa e de consultas com especialidades”, disse, para avançar que muitos se encontram, há anos, sem exames de rotina, para conhecer a carga viral. 

Mbunga Paulo sublinhou que há cada vez mais preconceito em relação à pessoa que vive com VIH/Sida, acrescentando que o estigma e discriminação estão institucionalizados e, como consequência, observa-se o aumento de internamentos e do número de mortes.

Para aferir esta informação, disse, basta fazer uma visita aos hospitais dos Cajueiros, Divina Providência, Geral de Luanda e ao Centro Especializado de Tratamento de Endemias e Pandemia (CETEP), onde, na maior parte das vezes, depois de internamento não se realizam consultas de acompanhamento.

“A única resposta que temos recebido é que esses hospitais são, apenas, unidades de internamento e não de acompanhamentos de consultas externas”, salientou.

A escassez de retrovirais, medicamentos para infecções oportunistas, preservativos, acesso ao emprego e bolsas de estudo são, segundo o jovem, alguns dos problemas enfrentados por pessoas que vivem com a doença. 

Mbunga Paulo realçou que existem inúmeras barreiras para o acesso de empregabilidade nas instituições públicas, onde muitas vezes se exige o teste de VIH.

“Somos seropositivos, mas muitos de nós são economistas, juristas, gestores, mecânicos, médicos, enfermeiros, marceneiros, agricultores e podemos contribuir para o desenvolvimento do país”, argumentou.

JA

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