Abril 25, 2024

Angola conta com uma associação continental voltada para questões do ESG (Ambiente, Social e Governança), lançada, segunda-feira, em Luanda, com o objectivo de ser parceira do Estado, das instituições públicas, privadas e de pessoas particulares para a implementação e adopção dos critérios exigidos hoje a nível mundial, de modo a tornar o país e o continente cada vez mais sustentáveis nas referidas matérias.

Denominada “W.E”, ou seja, “Woman in ESG Africa”,  a associação  foi fundada por quatro mulheres angolanas, (Hortência Matos, Xunu Aragão, Jânia Guilherme e Anuarith Martins), do ramo da advocacia, banca, e outros, mas com especialidades para as ESG, que se viram comprometidas com as questões do ambiente, sociedade e governação, e com as Agendas 2030 das Nações Unidas e 2063 da União Africana.

Segundo a presidente da associação, Hortênsia Matos, advogada, especialista em Protecção de Dados Pessoais e que actua também  no âmbito do ESG,  a associação, que conta com a parceria do Pacto Global das Nações Unidas em Angola, e da Confederação Empresarial da CPLP, pretende capacitar profissionais de instituições públicas e privadas, através de formações sobre os critérios do ESG e adopção das suas boas práticas.

A associação conta, também, com uma plataforma digital, com informações sobre ESG. Trata-se da primeira associação do género, criada a nível de África, e que se pretende alargar para os restantes países do continente africano.

“Além da capacitação, preferimos chamar de esclarecimento no âmbito de ESG. Neste âmbito, vamos passar a informação às empresas públicas, privadas e às pessoas sobre o que é o ESG, como deve ser implementado”, explicou Hortênsia Matos.

A co-fundadora Xunu Aragão reforçou que as boas práticas no âmbito do ESG passam pela responsabilidade social das empresas para com a comunidade, melhor gestão dos resíduos sólidos e outras.

“Hoje, por exemplo, nos EUA e na Europa, existem empresas que são banidas da cadeia do mercado por não cumprirem com essas regras e é isso que nós queremos”, frisou Xunu Aragão, apontando que Angola e África, no geral, não podem estar fora desse movimento, devendo adoptar tais critérios para que se possa ter então uma economia robusta e bem estruturada.

“Somos quatro senhoras, cada uma preocupada com esses critérios e com a adopção dessas práticas. Estamos também preocupadas com o desenvolvimento do nosso país, do nosso continente, e, por isso, uma das formas de ajudar é, efectivamente, disseminar o conhecimento”, referiu.

No acto de lançamento, alinhado aos eventos da 28ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (COP 28), que decorre no Dubai, Emirados Árabes Unidos (EAU), foram assinados memorandos de entendimentos com a Pirâmide World Foundation, no âmbito da formação e capacitação de profissionais.

ESG, sigla em inglês para “Environmental, Social and Governance” (Ambiental, Social e Governança), é um conjunto de padrões e boas práticas que visa definir se uma empresa é socialmente consciente, sustentável e correctamente gerenciada.

 
Entidades públicas e privadas abraçam iniciativa

A criação da associação ESG tem o total apoio de algumas entidades do Governo, da banca comercial e da classe empresarial angolana, que abraçaram a iniciativa como um novo paradigma que vem reforçar um dos objectivos do Executivo.

Um dos actores que testemunhou o lançamento desta associação foi o vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Pedro Castro e Silva, que realçou que a ESG demonstra que o tema da sustentabilidade passou a ser uma preocupação não só do Estado e suas instituições, como também dos cidadãos.

Pedro Castro e Silva sublinhou que as instituições públicas e privadas estão engajadas para tornar Angola um país sustentável, do ponto de vista ambiental, social e da governação. “A iniciativa é positiva e a ESG pode contar com o BNA e com os bancos comerciais, participando em eventos, na partilha de informação e vice-versa”, frisou Pedro Castro e Silva.

Outra entidade  que marcou presença foi a deputada Ângela Bragança, que aceitou fazer parte do grupo de embaixadores desta iniciativa e apelou à cidadania participava. Por sua vez, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Angola Brasil, Raimundo Lima, almeja que, com a criação da associação ESG, o movimento social e de governação seja cada vez mais sustentado e que os projectos a serem implementados sejam transversais e com responsabilidade social, sobretudo na  melhoria das condições de vida da população.

Na qualidade de embaixador do projecto, o presidente da Deloitte Angola, José António Barata, referiu ser um grande mérito o país ganhar mais uma associação que defenda sustentabilidade, um tema também financeiro para a estabilidade das instituições públicas e privadas.

“Vamos apoiar e abraçar o projecto porque a captação de investimento estrangeiro é de todo um dos objectivos do Executivo que está a implementar um conjunto de medidas tendentes a atrair capital externo, com objectivo de  alavancar a produção nacional e capacitação dos quadros”, frisou José António Barata.

JA

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