Julho 20, 2024

 

 

Angola está no nível dois de alerta máxima de prevenção epidémica, devido ao surgimento de casos de cólera nos países fronteiriços como a Zâmbia e a República Democrática do Congo (RDC).

A informação foi tornada pública, terça-feira, em Luanda, pela directora nacional de Saúde Pública, Helga Freitas, à margem da reunião interministerial sobre o Plano de Contingência de Combate à Cólera, orientado pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.

A directora nacional de Saúde Pública explicou que na Zâmbia o surto de cólera começou em 2023 e se intensificou nas últimas semanas, com o registo de cerca de sete mil casos, que causaram 400 óbitos. 

Segundo Helga Freitas, a média de casos de cólera na Zâmbia é de 400 por dia, situação considerada de extrema preocupação, devido à fronteira que separa Angola com o país em causa.   

Já em relação à República Democrática do Congo, Helga Freitas disse que o país também regista casos de cólera desde 2023 e até ao momento tem notificados 42 mil casos da doença. 

A especialista em Saúde Pública afirma ser uma situação bastante preocupante a nível da região da SADC, salientando que, actualmente, apenas Angola, Namíbia, Lusoto, Seychelles e Madagáscar não registaram casos de cólera. 

De acordo com Helga Freitas, como a RDC e a Zâmbia registam um rápido aumento de casos da cólera, o Executivo Angolano decidiu criar uma  comissão interministerial para se definir estratégias para dar resposta oportuna e eficiente a um eventual surgimento de cólera no país. 

“Fazem parte da comissão interministerial os ministérios da Energia e Águas, do Interior, Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Defesa e Veteranos da Pátria, Finanças, Ambiente, Educação, Cultura e Turismo, Agricultura e Florestas, da Acção Social, Família e Promoção da Mulher e a secretária para os Assuntos Sociais do Presidente da República”, explicou.  

A directora nacional de Saúde Pública acrescentou que, apesar das fronteiras partilhadas com a RDC e a Zâmbia, Angola não registou até agora casos de cólera, por isso está no nível dois de alerta máxima, criando estratégias de  prevenção e tratamento em caso de surgimento da doença.

Helgas Freitas garantiu que estão a ser reforçados os níveis de vigilância epidemiológica em todas as províncias que fazem fronteira com  a RDC e a Zâmbia, acrescentando que todos os técnicos da Direcção Nacional de Saúde Pública estão a ser capacitados para abordarem com segurança e rapidamente qualquer cidadão com cólera.  

O Ministério da Saúde, acrescentou, está a posicionar kits de emergência médica e epidemiológica ao longo da fronteira com os dois países.

Segundo a diretora nacional de Saúde Pública, o Ministério da Energia e Águas disponibilizou, em todas as províncias, meios para levar água à população que reside em áreas mais recônditas, de forma a se evitar o contágio da cólera por via da água não tratada.

 
Vacina contra a cólera

De acordo com a especialista em Saúde Pública, já existe vacina contra a cólera, mas Angola só poderá ter acesso caso seja registado algum caso da doença.

A responsável pela Saúde Pública no país sublinhou que a aquisição da vacina de cólera já está prevista no plano do Ministério da Saúde, sendo apenas administradas a partir dos dois anos de idade, por via oral, com uma eficácia de 85 por cento.

A directora nacional de Saúde Pública disse que a vacina não está incluída no calendário nacional de vacinação, sendo apenas indicada em situações específicas. “Daí ser importante investir em medidas de prevenção, como a higienização adequada das mãos e dos alimentos antes de os consumir”.

Segundo a médica, faz parte do calendário nacional de vacinação a vacina rotavírus, que previne doenças diarreicas e deve ser administrada às crianças com até nove meses.

JA

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