Abril 25, 2024

 

Os membros do “Processo dos 50” renderam uma homenagem, sexta-feira, em Luanda, aos ex-Presidentes António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, no âmbito do 60º aniversário da associação, assinalado a 29 de Março.

De acordo com o presidente da associação, Amadeu Amorim, os nacionalistas visitaram o Memorial António Agostinho Neto e o sarcófago de José Eduardo dos Santos, onde depositaram coroas de flores.

Para Amadeu Amorim, que prestou declarações aos jornalistas, este gesto tem grande significado, pois remete a histórias vividas há 65 anos. “É um reconhecimento às duas grandes figuras da libertação nacional”, declarou o nacionalista Amadeu Amorim.

O presidente da Associação do Processo dos 50 frisou que António Agostinho Neto lutou pela Independência e José Eduardo dos Santos deu continuidade a todo o processo, até o país chegar a uma paz efectiva.

“Precisamos de reconhecer os feitos destes dois homens, que deram a sua vida e dedicaram grande parte de todo o seu tempo em prol de uma Angola livre para os angolanos”, acrescentou Amadeu Amorim, sublinhando que os membros do Processo dos 50 têm um papel importante na luta de libertação, pois foram dos pioneiros nesta gesta de luta contra o colonialismo.

“Foi graças ao Processo dos 50 que se chegou ao 4 de Fevereiro de 1961. Então, não se esqueçam dos clandestinos. Estes também lutaram e contribuíram para que, hoje, Angola fosse liberta do jugo colonial. Por isso, peço ao Governo que, também, nos prestem atenção. Não apenas às Forças Armadas Angolanas”, observou o líder associativo.

Por sua vez, o almirante na reforma André Mendes de Carvalho “Miau”, filho do falecido nacionalista Agostinho André Mendes de Carvalho “Uanhenga Xitu”, lembrou que a 29 de Março de 1959 a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) invadiu a casa dos seus pais, de madrugada, e revistou tudo sem dar satisfações e sem qualquer mandado judicial.

“São José Lopes, o chefe da PIDE,  foi à nossa casa, mas o  meu pai já tinha fugido. Passou por várias casas e depois acabou por se entregar, porque não consegiu escapar”, contou.

Agora, continuou, os nacionalistas do Processo dos 50 estão aqui para recordar a data, como marco do início do percurso do 4 de Fevereiro, do 15 de Março e depois do 11 de Novembro (a Independência).

“Foi uma epopeia muito significativa que a História deve registar e os jovens não se podem esquecer. Vamos visitar Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, porque, quer um quer outro, são merecedores do nosso respeito. E, pelas benfeitorias e feitos, são dignos de honra”, vincou André Mendes de Carvalho “Miau”.

Para o nacionalista José Diogo Ventura, é importante reflectir sobre a geração que viveu todas as fases do colonialismo e, sem receio, alistou-se às correntes independentistas, no sentido de lutar pelo país.

“Fomos condenados pelo Tribunal Territorial de Angola a penas severas e, depois, desterrados para Cabo Verde. A luta foi estimulada e seguida pelo povo. Daí, surgiram todas as outras ocorrências da luta que veio a culminar com a da Independência. Outras pessoas nos seguiram, como Agostinho Neto – que estava na Casa dos Estudantes do Império -, e José Eduardo dos Santos, este ainda muito jovem”, recordou o nacionalista e com envolvimento directo no Processo dos 50.

Passados 65 anos, José Diogo Ventura assinalou que “não há presente sem passado. Os mais velhos lutaram, deixando um legado. Lembramo-nos deles no sentido de perpetuar o passado e transmitir às novas gerações que o país é nosso e temos que lutar por ele”.

O Processo dos 50 é a designação que se atribui à prisão e julgamento de um grupo de cinquenta nacionalistas que, insatisfeitos com o domínio colonial português, decidiram empreender clandestinamente acções conducentes à Independência de Angola.

O Processo dos 50 foi um conjunto de três processos políticos que se iniciaram a 29 de Março de 1959 com as prisões de vários nacionalistas angolanos, terminando em 24 de Agosto do mesmo ano com a última prisão. Deve-se este nome ao facto de Joaquim Pinto de Andrade ter enviado para o seu irmão que vivia no estrangeiro, Mário Pinto de Andrade, um folheto denunciando a prisão de 50 nacionalistas.

A denúncia internacional destas prisões, deu a conhecer ao mundo o que se passava em Angola, desmascarando as verdadeiras intenções da PIDE, que eram abafar e impedir que as prisões fossem de conhecimento internacional, evitando explicações pouco abonatórias ao regime de Salazar.

O conhecimento das prisões dos 50 nacionalistas alertou várias pessoas ligadas ao movimento pela independência para a necessidade de agir, evitando a sua captura e iniciando as bases para o início da Luta Armada no dia 4 de Fevereiro de 1961, quando um conjunto de patriotas angolanos tomou de assalto as cadeias onde estavam os presos políticos.

JA

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