Abril 21, 2024

O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, nomeou, ontem, o seu mentor político, Ousmane Sonko, para o cargo de Primeiro-Ministro, naquilo que está a ser encarado como uma estratégia para solidificar a governação, tendo em conta a última conjuntura eleitoral.

O recém-nomeado Primeiro-Ministro, Ousmane Sonko, cedeu o lugar ao actual Chefe de Estado, após desistir da corrida presidencial, por alegada perseguição política, uma vez que esteve preso e enfrentou uma série de acusações, tendo sido libertado na véspera da campanha, por uma Amnistia Geral aprovada pelo então Presidente senegalês, Macky Sall.

Após a leitura do Decreto, pelo secretário-geral da Presidência da República senegalesa, Oumar Samba Bâ, na televisão estatal RTS, Sonko agradeceu ao Chefe de Estado pela confiança. “Aprecio a importância da confiança depositada em mim”, disse Sonko à RTS. O agora Primeiro-Ministro, de 49 anos, que propôs a candidatura de Faye depois de a sua ter sido invalidada, anunciou que um novo Governo será formado “nas próximas horas”.

No entanto, Bassirou Diomaye Faye, até há pouco, líder da oposição senegalesa, tomou posse como Presidente do Senegal após a vitória, no dia 24 de Março, em apenas uma volta das presidenciais, com 54,28% dos votos.  “Perante Deus e a nação senegalesa, juro cumprir fielmente o cargo de Presidente da República do Senegal, respeitar e fazer respeitar escrupulosamente as disposições da Constituição e das leis”, declarou Faye, com a mão direita levantada, perante centenas de funcionários, Chefes de Estado e representantes africanos, no Centro de Exposições da nova cidade de Diamniadio, nos arredores de Dacar.

Os Presidentes da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embalo, e de Cabo Verde. José Maria Neves, assim como o Chefe de Estado nigeriano e actual presidente da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Bola Ahmed Tinubu; o mauritano Mohamed Ould Cheikh El Ghazouani, o gambiano Adama Barrow, o guineense Mamadi Doumbouya, entre outros representantes de Estados africanos, assistiram à tomada de posse de Faye.

Bassirou Diomaye Faye é o quinto Presidente do Senegal desde que o país se tornou independente de França em 1960, substituindo no cargo Macky Sall, que completou o segundo e último mandato permitido pela Constituição.

A transferência de poder entre Sall e Faye, em resultado de eleições, é a terceira na história do Senegal e marca o fim de um braço de ferro de três anos entre o Chefe de Estado cessante e a dupla vencedora das presidenciais de 24 de Março: Faye e o homem que o apoiou depois de ter sido impedido de se candidatar, Ousmane Sonko.

  Promessa de ruptura com o actual sistema político

Pan-africanista de esquerda, Bassirou Diomaye Faye, eleito com a promessa de uma ruptura com o sistema actual, elegeu como primeiro tema no discurso de tomada de posse a segurança regional, apelando a uma “maior solidariedade” entre os países africanos “face aos desafios” actuais neste domínio.

“A nível africano, a dimensão dos desafios de segurança exige de nós uma maior solidariedade”, afirmou o novo Chefe de Estado senegalês”, reafirmando o empenho do Senegal em reforçar os esforços na busca e promoção da paz, segurança, estabilidade e da integração africana.

 O Presidente senegalês prometeu, igualmente, uma “mudança sistémica” à frente do país, com “maior qualidade da soberania”, tendo afirmado que está “consciente de que a sua vitória nas presidenciais exprimiu um profundo desejo de mudança”. Faye disse que ouviu “claramente a voz das elites desinibidas que afirmaram, alto e bom som, as aspirações a uma maior soberania, desenvolvimento e bem-estar dos senegaleses”.

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