A Associação M27 – Memória 27 de Maio/77 veio a público denunciar aquilo que considera ser um processo “silencioso, pouco transparente e profundamente desumano” na condução das investigações relacionadas com a descoberta de uma vala comum no Cemitério do 14, em Luanda.
Num comunicado divulgado este domingo, 10, a organização afirma que as famílias das vítimas continuam afastadas das informações essenciais sobre as ossadas encontradas, questionando os critérios usados para a identificação dos restos mortais e a origem das listas de nomes que começaram a circular associadas às vítimas.
A associação considera incompreensível e doloroso que os familiares não tenham sido previamente informados nem envolvidos num processo que diz respeito directamente aos seus parentes desaparecidos desde os acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Segundo a M27, continua por esclarecer:
como foram feitas as alegadas identificações;
quais os elementos científicos utilizados;
e por que razão nomes de desaparecidos em diferentes províncias surgem ligados à vala comum descoberta em Luanda.
A organização acusa ainda as autoridades de manterem um clima de opacidade, agravando a dor e a desconfiança das famílias.
“A verdade histórica exige coragem, humanidade, transparência e respeito”, lê-se no documento, no qual a associação defende a participação de entidades independentes e organismos internacionais especializados na investigação de valas comuns e desaparecimentos forçados.
A M27 sustenta que a reconciliação nacional não pode ser construída “sobre o silêncio, o secretismo ou a exclusão das famílias”, advertindo que apenas um processo conduzido com rigor e imparcialidade poderá merecer credibilidade pública.
O comunicado surge dias depois de o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, ter anunciado a descoberta de uma vala comum com ossadas de mais de 500 pessoas no Cemitério do 14, no âmbito das investigações sobre vítimas dos conflitos políticos em Angola.


