A empresa Konda Marta voltou a denunciar esta terça-feira, 19 de Maio de 2026, uma nova operação de demolição realizada pela Administração Municipal da Camama, com apoio da Polícia Nacional, que terá resultado na destruição, pela quinta vez, de um muro erguido numa área reivindicada pela empresa. Segundo o empresário Daniel Afonso Neto, durante a intervenção policial foram utilizados disparos e gás lacrimogéneo para dispersar camponesas e populares que protestavam contra a acção, situação que alegadamente levou uma cidadã idosa a perder os sentidos.
À imprensa, o responsável da Konda Marta acusou as autoridades administrativas de recorrerem à força para facilitar alegados esquemas de apropriação de terrenos. Daniel Neto afirmou que a empresa possui documentação considerada legalmente válida, incluindo uma acção principal em tribunal como fiel depositário, criticando o facto de a demolição ter ocorrido mesmo após a apresentação dos documentos às autoridades no local.

O empresário afirmou ainda que conflitos fundiários semelhantes têm sido frequentes em municípios como Cacuaco, Belas e Viana, acusando alguns administradores de estarem envolvidos em práticas de corrupção e usurpação de terras. Daniel Neto recordou também que responsáveis da Administração da Camama haviam negado anteriormente qualquer ligação ao caso, posição que, segundo defende, foi contrariada pelos acontecimentos mais recentes.
Entretanto, ouvido pelo Estado News, o jurista Onésimo Katchivalela considerou que, em situações de litígio fundiário submetidas aos tribunais, as partes devem aguardar pela decisão judicial antes de qualquer intervenção administrativa. Segundo explicou, o recurso à força policial em disputas de terras pode agravar os conflitos sociais e levantar dúvidas quanto ao respeito pelos princípios do Estado de Direito.

“Sempre que exista documentação em apreciação judicial, o mais prudente é aguardar pelo pronunciamento definitivo do tribunal, evitando acções que possam ser interpretadas como abuso de poder”, referiu.


