Dezembro 2, 2023

 

A cidade de Luanda foi apanhada numa sequência de chuvas “diluvianas”, deixando um rasto de residências inundadas e destruição. Nenhum bairro ou zona escapou, as enxurradas.

Em estradas como a “Fidel Castro”, tecnicamente designada via expressa, que em dias normais de chuva, minutos depois, o trânsito retoma o ritmo normal, desta vez não aconteceu. Em certos pontos o tapete asfáltico desapareceu, houve até tombo de um camião e viaturas de alta cilindragem foram quase “engolidas” pela água.

Pelo resto do país sucedeu a mesma coisa. As chuvas caíram com toda a força e a uma sequência que parecia não ter fim à vista. A queda de água já dura alguns meses, mas, nos últimos dias, caíram de forma mais o intensa e de forma demorada, como aconteceu já em outras ocasiões. O balanço dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros faz arrepiar, fala em 308 mortes e 13.775 famílias afectadas desde Outubro do ano passado. Assistiu-se a uma destruição descomunal, de repente todos estavam apanhados numa verdadeira tragédia. A contagem demonstra claramente que contra a força da natureza o homem ainda não pode triunfar, não sei se alguma vez conseguiu ou algum dia triunfará.

Em enfrentar adversidades com desenhos arquitectónicos bem conseguidos, estradas e edifícios robustos devidamente construídos, faz  sentido, porém nem sempre suportam a força da natureza. Mesmo em países com os melhores sistemas de acompanhamento e controlo do tempo, com estudos pormenorizados do clima, o registo de destruição e mortes é assustador. A chuva cai com toda a força e arranca tudo. São momentos de grande aflição, em que os homens percebem a capacidade destrutiva da natureza da pior maneira. A humanidade rende-se.

Alemanha, Espanha, Itália, Bélgica, Estados Unidos da América, Brasil, China, citando apenas estes, já foram apanhados por chuvas torrenciais, nada a ver com ciclones ou tufões. Sofreram as consequências das quedas de  água  que deviam ser apenas  de dias normais de chuva. A informação recolhida com a ajuda de satélites que monitorizam o tempo e detalham o seu comportamento não foi suficientemente útil para impedir inundações e o rasto de destruição. Permitiu, sim, que vidas fossem salvas, com a transferência para campos improvisados de acolhimento. Mais não puderam fazer, assistiram com dor e sofrimento à chuva a cair e destruir quase tudo vem os sistemas de drenagem conseguiram evacuar a água, que de repente tornam cidades em rios. Enfim, é a força da natureza.

Em África, também temos sofrido com as consequências das chuvas, e fica sempre, além da dor, a impressão de que era possível fazer mais para evitar danos maiores. Porém, nessa hora, é preciso levantar e lutar de “mãos dadas”, como um só corpo, avançar com acções, agir com prudência, ser, acima de tudo respeitador da dor alheia, pôr em andamento uma verdadeira onda de solidariedade às vítimas. Os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros continuam empenhados em aliviar o sofrimento das famílias afectadas.

O Executivo anunciou, na sexta-feira, 20 a implementação, a partir da próxima semana, de um Plano de Assistência Emergencial para apoiar as famílias afectadas pelas chuvas. O ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Furtado, realçou a necessidade de o Executivo reforçar o esforço para contemplar as famílias afectadas pelas chuvas. Esta acção não se destina apenas em dar meios, como abrigo e alimentação, mas, também, a criar áreas que permitam o reassentamento em condições de segurança para que não aconteçam mais fenómenos semelhantes aos que estão a ser observados agora, em todo o país.  

JA

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