Julho 20, 2024

ernardino Neto, especialista em Relações internacionais, faz um enquadramento em relação à pretensão de Volodymyr Zelensky de reforçar a presença diplomática ucraniana em África e aborda o futuro da guerra na Ucrânia em face do conflito Israel-Hamas.

OGoverno de Volodymyr Zelensky pretende reforçar os laços com grande parte dos países africanos e também ter maior presença na media destes países. Nesse âmbito, Zelensky anunciou a abertura de mais dez novas embaixadas em África. Qual é a sua avaliação sobre esta estratégia?

A intensão de a Ucrânia aumentar o número de Embaixadas em África, pessoalmente tenho imensas dificuldades em chamar isto de “estratégia”, talvez seja “diplomacia elástica”, diante da aventurosa e áspera aliança com a OTAN, que lhe deixa o país a sangrar entre todos os poros, que como diz o nosso povo, “desconseguiu” se impor no sistema nervoso internacional. Digo nervoso, porque o assunto das fronteiras entre os Estados baleias, ontem como hoje, é inegociável e é sempre uma bomba-relógio. Quem tenta desafiar arrisca-se a entrar para um campeonato de sabres, canhões, trincheiras, matanças, mutilações, fugas e destruições desnecessárias. Zelensky pode ser tudo, porém, sabe que o mundo vive de percepções e interpretações, que podem ser boas ou más. De certeza, é esta realidade que o impeliu à essa “diplomacia elástica” como um activo para a África. Agora, a África é um livro grande de mais de 50 países. Precisa de ser lido com objectividade para as vantagens mútuas e desenvolver uma diplomacia produtiva. Sem querer remeter-me em visões filosóficas de cervejaria, não sei, se alcançada a paz, Zelensky sobreviverá. Comparando os méritos e deméritos de uma Ucrânia de carabina em riste e da Ucrânia sem carabina, os ruídos da história nunca morrem solteiros.

 

 

 

 

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