
A caça aos Tubarões Azuis é hoje um imperativo de sobrevivência para os Palancas Negras, na corrida ao Mundial de 2026, a ter lugar nos EUA, México e Canadá. No jogo marcado para as 17h00, no Estádio 11 de Novembro, apenas a vitória interessa à Selecção Nacional de Honras de futebol, frente à congénere de Cabo Verde, líder do Grupo D, com 10 pontos.
O efeito do triunfo pode ser temporário, pelo facto de vir a durar apenas até ao desfecho do Camarões – Líbia, outra disputa entre países bem posicionados na corrida à prova planetária. Todavia, a equipa nacional só tem de pensar em vencer, de modo a colocar pressão aos Leões Indomáveis e Cavaleiros do Mediterrâneo, que vão jogar com o seu resultado.
Ainda que o estádio não venha abaixo, sob o peso de uma exibição digna de nota artística, o grupo às ordens de Pedro Gonçalves não pode se esquivar da obrigação de ganhar. Por causa do desperdício ofensivo em Benghazi, frente aos líbios, Angola recebe Cabo Verde sem escapatória possível: ou ganha para reforçar as hipóteses de qualificação, ou qualquer outro resultado complica as contas.
Agora que a segunda volta vai começar, os pontos perdidos passam a ser eternos, dada impossibilidade de recuperação. O Mundial há muito deixou de ser sonho para os angolanos. A escolha final depende na íntegra do desfecho da importante refrega com os Tubarões Azuis.
Os cabo-verdianos fazem a estreia internacional em território nacional, mas é um velho oponente. Na mente dos adeptos angolanos ainda perdura, certamente, o amargo 2-1, com o qual a então inexperiente selecção seguiu para os quartos-de-final, no CAN’2013, disputado na África, à custa dos Palancas Negras, que morreram na praia da primeira fase.
O tempo voou rápido. É possível que no balneário dos “catanhós”, como também é conhecido o povo do país lusófono do arquipélago em Angola, esse doce passado esteja a ser usado como motivação, ainda mais porque os sobreviventes Vozinha e Ryan Mendes continuam de pedra e cal na equipa.
Os Tubarões Azuis têm amealhado muitos pontos em casa, pois este é apenas o terceiro jogo fora. Nas duas anteriores deslocações ganhou e perdeu. Ao contrário, Angola apenas jogou duas vezes na condição de anfitriã, na primeira volta, na qual venceu e-Swatini e empatou com os Camarões, resultados mais ou menos aceitáveis, em função dos adversários.
Os três pontos são essenciais para Angola ganhar mais alento na corrida ao Mundial das Américas. Mesmo que não consiga inclinar o relvado, nem consiga manter o mesmo ritmo e intensidade, o fundamental é ter eficácia no último terço do campo, pois é lá onde tem residido a pecha da equipa nacional, já que no apuramento para o CAN’2025 só ficou em branco no empate registado no derradeiro jogo.
Com Mabululu novamente de ficha limpa, mais a recuperação de Benson e a estreia de André Vidigal, fica claro quantos frutos suculentos e abundantes o seleccionador tem à disposição. Não importa quais as escolhas iniciais. Basta que sejam “um por todos e todos por um”, porque os cabo-verdianos ainda têm margem de erro, quando os Palancas Negras estão proibidos até de empatar!
JA