23 de Abril, 2026

A secretária provincial do SINPROF em Benguela, Sónia Cabral, manifestou forte preocupação com as condições para o regresso às aulas, alertando para falhas graves no processo e para a realidade vivida por alunos e professores.

Segundo a responsável, o sindicato tomou conhecimento do documento que define o início do ano lectivo com “espanto e preocupação”, uma vez que nem todos os alunos e docentes estão devidamente cadastrados. Sónia Cabral considera que os dados apresentados pelas autoridades “não correspondem à realidade no terreno”, sublinhando que muitas famílias continuam a enfrentar situações críticas.

Em declaração a Rádio Correio da Kianda, a dirigente do sindicato destacou ainda o impacto humano da situação, referindo que há alunos e professores que perderam familiares recentemente e não estão em condições emocionais para retomar as actividades escolares.

“Uma pessoa que perdeu um pai, um irmão, não está em condições de voltar às aulas neste momento”, afirmou.

Além disso, apontou a falta de condições de materiais básicos, como batas escolar, carteiras e quadros, comprometendo o processo de ensino-aprendizagem.

Entre os exemplos citados, Sónia Cabral mencionou a Escola 1606, que terá sido afectada e não consta no Orçamento Geral do Estado, levantando dúvidas sobre o apoio previsto para a sua recuperação. Acrescentou ainda que, durante uma recente visita à província, o secretário de Estado pôde constatar que os dados oficiais não reflectem a realidade vivida pelas comunidades.

Por fim, a responsável criticou a retirada de famílias de abrigos, alertando que muitas continuam desalojadas e sem condições mínimas de sobrevivência, o que agrava ainda mais os desafios para o regresso seguro às aulas.

Ck

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