O antigo Presidente sul-africano, Thabo Mbeki, negou ter ordenado o arquivamento de processos relacionados aos crimes cometidos durante o regime do Apartheid, bem como ter celebrado acordos secretos para proteger antigos agentes dos serviços de segurança da justiça.
Numa declaração escrita, Mbeki classificou as acusações como uma “invenção total” e defendeu que a Autoridade Nacional de Acusação da África do Sul deve esclarecer por que razão não deu seguimento aos processos encaminhados pela Comissão da Verdade e Reconciliação, refere a Rádio Nacional de Angola.
O antigo Chefe de Estado, que sucedeu a Nelson Mandela, em 1999, e permaneceu no poder até 2008, prestou esclarecimentos no âmbito dos esforços renovados para investigar crimes da era do Apartheid que continuam por esclarecer e sem julgamento há várias décadas.
Antes da sua comparência, a Fundação para os Direitos Humanos e 25 famílias de vítimas e sobreviventes exigiram explicações e um pedido de desculpas pelo alegado fracasso das autoridades na investigação dos crimes.
O inquérito foi determinado pelo actual Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, em Abril, na sequência de acções judiciais intentadas por sobreviventes e familiares das vítimas contra sucessivos governos, por alegada falta de investigação de homicídios, desaparecimentos forçados e outros crimes não resolvidos.
O processo pretende esclarecer as circunstâncias que levaram à ausência de investigações e julgamentos em vários casos relacionados com o período do Apartheid, bem como apurar eventuais responsabilidades das autoridades envolvidas.


