Fevereiro 25, 2024

O diretor do Novo Jornal (NJ), semanário generalista angolano, considerou hoje “repugnante” a invasão de que as instalações do órgão foram alvo, na sexta-feira passada, por alegadas ordens judiciais, e denunciou a tentativa de “asfixia” da publicação.

“Foi repugnante o que tivemos. Eram 40 indivíduos mandatados por outra parte, do senhor Álvaro Sobrinho, a intimidarem jornalistas, impedi-los de exercer livremente o seu ofício”, disse hoje Armindo Laureano à Lusa.

Para o jornalista angolano, a invasão da redação de um órgão de comunicação social, como aconteceu com o NJ, “é algo que deve merecer todo (…) repúdio, de todas as instituições e sociedade”.

“Não se pode atacar de forma tão vil e irresponsável e tão absurda o jornalismo e os jornalistas”, afirmou.

Pelo menos 40 indivíduos, que Armindo Laureano afirma terem atuado a mando do empresário luso-angolano e antigo presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA), terão invadido as instalações do NJ, na última sexta-feira, para alegado cumprimento de uma ordem judicial.

Álvaro Sobrinho e Emanuel Madaleno, a quem se atribui a propriedade do Grupo Nova Vaga, que detém o jornal económico Expansão e o generalista Novo Jornal, estão em litígio judicial e uma sentença do Tribunal Provincial de Luanda terá motivado a “invasão” das instalações daquela publicação privada.

Hoje, Armindo Laureano disse que a referida ação se traduz igualmente num “ataque à credibilidade do NJ e do seu diretor, alvo todos os dias de pseudo-factos, que são apresentados como factos, mas que são mentiras de pseudo-jornalistas”.

“Há os pseudo-jornalistas, que se apresentam como jornalistas, mas não o são, temos sites que vivem do negócio da desinformação e que são sustentados para espalhar o mal, para atacar o jornalismo, e isso só deve ser combatido com o bom jornalismo, afirmando o nosso trabalho”, asseverou.

Laureano assegurou que a publicação que dirige “não vai claudicar e nem baixar a guarda” perante ataques consecutivos.

Salientando que a publicação “tem 15 anos de história”, com “trabalho feito”, o diretor do NJ classificou este órgão como “um barómetro importante também para se aferir a própria democracia”.

“Então, o que estamos a ver é isso, são ameaças ao jornalismo livre, plural e independente, mas a resignação não é e nunca será a nossa escolha”, frisou.

Armindo Laureano prometeu que o NJ vai continuar a sua trajetória e que está atento “àqueles que se querem apropriar do órgão para o asfixiar” e “entregar a grupos de interesse”.

“A sociedade está atenta e não vai permitir”, afirmou, advertindo que o que aqueles não conseguiram pela justiça “querem fazê-lo pela força, pela desinformação, pela manipulação, pelo assassínio de caráter”.

Contudo, “serão derrotados pelos factos, pela evidência e pela (…) determinação” dos profissionais, rematou o jornalista.

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) manifestou-se “preocupado” com o ambiente de trabalho a que estão sujeitos os jornalistas do Novo Jornal, na sequência do diferendo judicial sobre a titularidade do órgão.

Em nota de imprensa, o SJA salientou que a sua preocupação reside na “possibilidade deste ambiente inibir a liberdade dos jornalistas e a independência do jornal, o que seria, em última instância, um ataque ao jornalismo plural, sem o qual não se pode falar em liberdade de imprensa”.

AO

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