Junho 14, 2024

Depois do afundanço entre meados de Maio e finais Junho, naquilo que foi um mês e meio “infernal” para a moeda nacional, com uma desvalorização de 39%, o Kwanza tem estado praticamente suspenso pela mão do BNA.

O Kwanza está praticamente estagnado há sete meses, desde que ultrapassou a barreira dos 820 Kz por dólar, uma vez que desde finais de Junho do ano passado apenas depreciou apenas 0,8% face à moeda norte-americana, ao passar de 822,4 Kz para os actuais 828,8 Kz, de acordo com cálculos do Expansão com base na taxa de câmbio do Banco Nacional de Angola (BNA). Apesar dessa aparente “acalmia” desde finais de Junho, nunca o Kwanza valeu tão pouco como hoje.

No ano passado, a moeda nacional depreciou 39% face à moeda norte-americana, com o afundanço a ter início a 12 de Maio e apenas a abrandar a partir de 28 de Junho, naquilo que foi um mês e meio “infernal” para o País.

De finais de Junho para cá, o Kwanza tem depreciado ligeiramente quase a uma média mensal de 1 Kz por dólar, o que apenas acontece porque o banco central pôs fim, embora não seja oficial, à flexibilização cambial iniciada em 2018, que resultou de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que esta instituição multilateral avançasse com um programa de apoio financiado ao País.

Só que o ano de 2022 foi marcado pelas eleições gerais, tendo o Governo apreciado artificialmente a moeda nacional ao inundar o mercado cambial com as divisas provenientes das receitas fiscais que resultaram da alta de preços do barril de petróleo nos mercados internacionais. Isto potenciou o aumento das importações, o que permitiu a queda dos preços dos bens de consumo em ano eleitoral.

Só que em 2023, ano em que já se sabia que o serviço da dívida iria consumir mais recursos do que em anos anteriores, o Tesouro Nacional acabou por sair do mercado cambial, o que provocou uma razia na oferta de dólares. Assim, cumpriu-se a lei da oferta e da procura, ou seja, já que a menor disponibilização de divisas no mercado provocou o aumento dos preços (diga-se da taxa de câmbio).

Mas a desvalorização da moeda nacional é já uma doença crónica, uma vez que desde 2000 o kwanza apenas valorizou cinco vezes face ao dólar, tendo desvalorizado 18 vezes face à moeda norte-americana, num ciclo em que apenas por três vezes a inflação esteve abaixo dos dois dígitos.

Assim, passaram 23 anos e a economia angolana continua agarrada às mesmas dificuldades de sempre: um País altamente vocacionado para as importações e com uma inevitável petrodependência que garante o financiamento de uma boa parte dos Orçamentos Gerais do Estado e o volume de divisas que entram no País. Uma vez que a principal fonte de divisas resulta de um mercado tão volátil e em que são as dinâmicas nos mercados externos que definem os preços, não tendo Angola qualquer controlo sobre o preço, faz com que o mercado cambial no País seja também ele altamente volátil e sempre na “corda bamba”.

EXPANSAO

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