Fevereiro 28, 2024

O embaixador extraordinário e plenipotenciário da Hungria em Angola, Zsolt Maris, anunciou a intenção de produzir um filme de longa-metragem sobre as viagens do explorador húngaro László Magyar na região central de Angola, nos anos 1848-1857.

Explorador geográfico húngaro, László Magyar (1818-1864), que os africanos chamaram pelo nome de “Enganna Komo”, nasceu na cidade de Szombathely  (Hungria). 

Desembarcou em Benguela a 9 de Dezembro de 1848, de onde viajou para o Bié em Janeiro de 1849, onde se casou com Ina Kullu Ozoro, uma das filhas do rei Kajaja-Kajangula. 

Durante a sua expedição para explorar territórios no interior de Angola, László Magyar realizou viagens às nascentes do rio Kwanza, aos impérios Kamba e Kwanyama, às regiões dos rios Kunene e Kubango e aos reinos Lunda e Lobal.

Ao falar em Benguela, no quadro de uma exposição itinerante para comemorar o 205º aniversário do nascimento de László Magyar, o diplomata Zsolt Maris deu a entender que, hoje, a Hungria valoriza a contribuição deste explorador como elo importante entre povos, países e culturas. 

É que, segundo o embaixador, durante décadas, László Magyar foi mal interpretado e também havia reservas quanto aos territórios do interior de Angola percorridos nas suas viagens.

Daí que esta exposição, como explicou, procura ilibar essa imagem e opiniões péssimas sobre o explorador e revisitar as suas viagens, sobretudo no Planalto do Bié.

Fez saber que a Embaixada da Hungria vai trabalhar com a Televisão Pública de Angola (TPA), tendo em vista a produção do longa-metragem com angolanos, para retratar a vida aventureira de László Magyar.

Além disso, adiantou que se pretende produzir uma série de documentários que explorem os lugares por onde László Magyar passou durante a sua expedição em Angola, como forma de mostrar ao mundo as belezas e riquezas do país.

Obra publicada 

Uma síntese da obra de László Magyar foi publicada recentemente em Portugal, intitulada “O Planalto do Bié – Diários de Viagem de László Magyar (1848-1857).

É nesse contexto que o embaixador sugere que Angola adquira os direitos de publicação dessa obra, publicada em português, garantindo apoio para a sua distribuição entre as bibliotecas provinciais do país.

Ainda sugeriu que seria de bom grado apresentar ao público, no Museu Nacional de Arqueologia de Benguela, uma peça sobre o matrimónio de László Magyar com uma princesa do Bié, a 23 de Maio de 1849. 

Por outro lado, salientou que ornitólogos dos dois países estão a trabalhar num projecto de estudo de aves migratórias, denominado “Falcão Azul”, que passam o verão na Hungria e o inverno na província do Huambo.

“Essas aves migratórias foram descritas pela primeira vez no diário de László Magyar”, avançou, reforçando que cientistas húngaros e angolanos começaram a pesquisar essas aves tanto na Hungria, quanto em Angola.

No entanto, para o embaixador, o projecto mais importante deve ser uma tradução completa para o português do diário de László Magyar e entregá-lo às bibliotecas das 18 províncias de Angola.

O diplomata Zsolt Maris disse que gostaria de continuar a exibir essa exposição itinerante sobre a vida e obra de László Magyar em Angola, nos próximos anos. 

Antes de começar a explorar a África Austral, em 1848, László Magyar servia, entre 1843-1845, em diferentes navios comerciais, passando pelos portos mais importantes desde a América do Sul até o Extremo Oriente.

Em 1845, aceitou um posto militar na Armada da Argentina e participou na guerra contra o Uruguai, onde é feito prisioneiro e condenado à morte, pena que foi comutada e perdoada depois. 

László Magyar morreu em 1864, no Cuio, na província de Benguela, mas essa notícia só chegou à Hungria quatro anos depois. 

Por essa razão, a Embaixada da Hungria e o Ministério da Cultura de Angola inauguraram terça-feira, na cidade de Benguela, uma placa em memória do explorador hungaro László Magyar.

Na placa afixada, entre o Museu Nacional de Arqueologia e a sede do Governo de Benguela, lê-se o seguinte: “As suas viagens do rio Zaire ao Cunene, as suas obras de grande valor científico e a sua vida compartilhada com a princesa Ozoro do Bié foram o início duma longa amizade”. 

ANGOP

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *