Abril 25, 2024

O corpo do músico, compositor, político e desportista Rui Mingas, falecido no dia 4 deste mês, em Lisboa, aos 84 anos, chega a Luanda na sexta-feira, dia 12, confirmou, segunda-feira, o ministro da Cultura e Turismo, Filipe Zau.

“Em princípio, a chegada do corpo está prevista para dia 12”, declarou Filipe Zau, à margem da cerimónia de homenagem aos artistas, por ocasião do Dia da Cultura Nacional.

Para amanhã, quarta-feira, está prevista uma homenagem dos artistas, aberta ao público, no Centro de Convenções de Belas, a partir das 15 horas, sob a égide da produtora de eventos Nova Energia, de Yuri Simão.

O titular da pasta da Cultura referiu que está em curso um programa sob a responsabilidade dos ministérios da Cultura e Turismo e da Juventude e Desportos, para que a memória de Rui Mingas e as exéquias tenham uma dignidade à altura do homem que ele foi.

“Estamos a festejar em luto. É uma perda nacional de um homem que era extremamente importante, um belíssimo operário da cultura, um compositor e também um homem da política, da diplomacia”, disse o ministro, ao falar sobre a dimensão de Rui Mingas.

 Filipe Zau destacou a veia musical de Rui Mingas, considerando que muitas das suas composições constituem “clássicos da nossa música”.

Rui Mingas faleceu na quinta-feira passada, em Lisboa (Portugal), vítima de doença prolongada, aos 84 anos.

Um dos autores da letra do Hino Nacional, juntamente com o escritor Manuel Rui Monteiro, Rui Mingas participou activamente no processo que culminou com a Independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975.

Político, diplomata, empresário e compositor, entre outras valências, Rui Mingas nasceu a 12 de Maio de 1939, e distinguiu-se também no desporto, particularmente no atletismo, antes de ser secretário de Estado de Educação Física e Desporto, deputado à Assembleia Nacional pelo Grupo Parlamentar do MPLA, embaixa- dor de Angola em Portugal e reitor da Universidade Lusíada de Angola.

Rui Mingas musicou os poemas “Monagambé”, “Adeus à hora da largada” e compôs “Birin Birin”, “Makezu” e “Meninos do Huambo”. A sua voz levou ao mundo poemas de Agostinho Neto, Viriato da Cruz, António Jacinto e Mário António.

O velório está aberto desde a manhã de domingo, 7, na sua residência, na rua Cabral Moncada, em Luanda.

Mensagens de condolências

Horas depois do falecimento do “músico, desportista e político”, o Presidente da República, João Lourenço, considerou Rui Mingas como uma personalidade de grande prestígio, que em várias frentes e em diversas funções representou o país com talento, competência e dignidade.

“O seu passamento empobrece o nosso país e deixa de luto a sua família e toda uma vasta legião de amigos e companheiros de trabalho. A todos, em particular à sua viúva e filhos, expressamos as nossas condolências e os nossos sentimentos de pesar”, lê-se na mensagem do estadista angolano.

Por sua vez, a presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, sublinhou que a obra de Rui Mingas perdurará na memória colectiva dos angolanos, ressaltando que o país perdeu um bom filho, mas o seu legado fica nos anais da história e corações de todos.

O governador do Zaire, Adriano Mendes de Carvalho, também lamentou a morte do músico, compositor, diplomata e homem do desporto, considerando Rui Mingas “uma biblioteca humana, um diplomata e um homem de cultura”.

“Rui Mingas é e será sempre uma figura incontornável da cultura angolana, dada a sua rica contribuição na sua valorização e promoção”, disse.

Benguela

Em Benguela, várias figuras do panorama desportivo e cultural enalteceram a obra do músico e compositor Rui Mingas.

O director do grupo teatral Damba Maria, Adérito Tchiuca, destacou o contributo do malogrado na luta pela independência nacional, preservação e valorização da angolanidade.

O também actor ressalta que Rui Mingas se distinguia no panorama musical pela sua linha de composição e melodia singulares, que apelavam às origens do povo angolano e aos valores da cultura nacional, para que não desaparecessem.

Romualdo Nguenga, antigo árbitro e actualmente comissário do Conselho Nacional de Arbitragem, indicou que os maiores feitos no desporto nacional foram registados enquanto Rui Mingas era secretário de Estado para a Educação Física e Desporto.

O comissário referiu, por isso, que a morte de Rui Mingas representa uma grande perda para o país a nível político, cultural e desportivo.


Transmissão livre do “Show do Mês”

A empresa produtora de eventos “Nova Energia” decidiu ceder a sua exclusividade sobre o direito de emissão do show “Cantar Rui Mingas 8.0”, para permitir a sua transmissão livre pelos quatro canais televisivos existentes em Angola.

Em comunicado de imprensa distribuído este domingo, em Luanda, a promotora de eventos cedeu o direito de emissão do  show em causa aos canais de televisão nacionais ZAP TV, TPA, TV Zimbo e Girassol.

A nota refere que, “pela angolanidade”, a Nova Energia decidiu não ter exclusividade sobre a transmissão, “para que todos os angolanos possam, juntos, celebrar a musicalidade de Rui Mingas”.

A empresa recorda que “Cantar Rui Mingas” foi um espectáculo de homenagem, realizado no dia 27 de Abril de 2019, no quadro do projecto “Show do Mês”, em que vários artistas celebraram os 80 anos do nacionalista, cantor e compositor angolano Rui Mingas.

“Um grande amigo da França”

A Embaixada da França em Angola apresentou, ontem, “as suas sinceras condolências” à família de Rui Mingas, pelo seu falecimento, ocorrido na última quinta-feira, em Lisboa.

“Rui Mingas foi também um grande amigo de França e da cultura francesa”, escreveu a embaixada, no Facebook.

Rui Mingas foi galardoado com a Medalha Francesa das Artes e das Letras, em 2010.

JA

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